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16 de outubro de 2025

Ferraria de São João

A Serra da Lousã possui uma grande riqueza a vários níveis e um deles são as aldeias que emergem por entre a densidade arbórea do local. Muitas das aldeias fazem parte da rede Aldeias de Xisto, uma iniciativa que pretende dar suporte a uma série de aldeias típicas que fazem parte do nosso património cultural e que estão espalhadas por vários pontos da zona centro do país.

Desta vez fui conhecer a Ferraria de S. João, na freguesia da Cumeeira e concelho de Penela. O nome terá surgido eventualmente a partir da existência de uma área de exploração de ferro associando-se ao nome do Santo da devoção dos habitantes, que surge em outras referências ao longo do povoado. 

Terra de xisto e quartzo, o sobreiro é a árvore por excelência e a entreajuda dos habitantes uma qualidade que deu à aldeia a curiosa característica de ter numa das extremidades uma série de currais onde cada família guardava o seu gado, predominantemente cabras que eram pastoreadas em conjunto e ciclicamente por todos os proprietários.

Nos dias de hoje as casas são essencialmente de segunda habitação, poucos lá moram, mas a essência mantêm-se ao longo das ruas tranquilamente alinhadas.








Por tudo isto aconselho uma visita a esta aldeia e a toda a região, cheia de trilhos para descobrir e percorrer a pé ou de bicicleta. 

Venham daí!

17 de junho de 2023

Agua Formosa

Já aqui tive oportunidade de falar da rede de Aldeias do Xisto. São aldeias situadas na região centro do país e encontram-se espalhadas por diversos concelhos. Dos quatro núcleos que constitui esta rede que visa apoiar e preservar a característica fundamental deste tipo de construção, ainda não tinha visitado nenhuma aldeia do núcleo Tejo-Ocreza

De passagem pela região centro do país, surgiu a hipótese de conhecer Água Formosa, uma pequena aldeia pertencente ao concelho de Vila de Rei, apenas a 10 km do centro de Portugal. Com as suas casinhas em xisto, construída numa encosta entre a Ribeira da Corga e a Ribeira da Galega. Percebe-se de imediato o porquê do nome. Rodeada de natureza, das suas fontes escorre a água fria e pura que deu nome à terra. No perímetro da aldeia vêem-se pequenas hortas, sinal de que continua a haver alguém que lavra, alguém que sobe e desce continuamente as ruas estreitas e empedernidas, tal como em tempos antigos acontecia.










E assim consegui conhecer mais uma povoação das Aldeias do Xisto. É uma longa lista e ainda me falta conhecer a maior parte mas a seu tempo pode ser que consiga. 

Coordenadas GPS: 39º38'4.81''N. 8º5'59.22''W



7 de fevereiro de 2023

Talasnal e Gondramaz

No post anterior falei da vila da Lousã e da serra com o mesmo nome e disse que mostraria hoje duas aldeias serranas emblemáticas. E aqui estou. 

Começo por aquela que é talvez a mais famosa de todas as aldeias da Serra da Lousã: Talasnal. Esta aldeia faz parte integrante da rede de Aldeias do Xisto - que só na Serra da Lousã são doze - e é de uma beleza sem igual. Pertencente à freguesia da Lousã,  já não tem moradores permanentes mas a crescente procura por lugares genuínos permitiu que fosse recuperada e agora as suas casas são essencialmente de férias ou de turismo, havendo também oferta gastronómica.

Percorrer as ruas íngremes de Talasnal é mergulhar noutra época, passear nesta aldeia que dista apenas 12 km da vila da Lousã é sem dúvida uma experiência inesquecível.









Outra das aldeias emblemáticas da Serra da Lousã pertence à freguesia de Miranda do Corvo e integra igualmente a rede das Aldeias do Xisto. Gondramaz foi local de visita do escritor e poeta Miguel Torga na qualidade de médico, quando o seu serviço estava sediado nas proximidades, concretamente em Vila Nova, Miranda do Corvo.

A aldeia é toda ela um postal e à semelhança da anterior, também Gondramaz oferece alojamento turístico de qualidade, onde não faltam até piscinas nos pátios de algumas casas. Tem também restaurantes com oferta gastronómica de qualidade.










Se depois destas imagens não ficaram com vontade de rumar à serra da Lousã, então não sei... gostaria de lembrar que, se estão a pensar fazer uma visita, então o melhor é usarem calçado adequado para longas caminhadas e se quiserem também podem percorrer as ruas e caminhos de bicicleta para uma experiência diferente. Existem percursos devidamente assinalados e tenho a certeza que a pé, de automóvel ou de bicicleta, é um passeio para não esquecer nunca mais.

Venham daí!


Coordenada GPS:

Talasnal: N40º 05'30.0'' W8º13'32.4''

Gondramaz: N40º04' 39.9'' W 8º17'37.2'' 


2 de fevereiro de 2023

Lousã e Casal Novo

Vocês sabem como gosto do contacto com a natureza e de visitar lugares que ainda conservam uma ligação muito forte com o meio ambiente. E é isso mesmo que trago no post de hoje.

Já conhecia um pouco da Serra da Lousã (podem ver aqui quando falei sobre ela) mas desta vez consegui ver com mais pormenor, até porque havia sol, embora as temperaturas estivessem muito baixas.

Esta é a visão quando chegamos a um dos locais mais altos da serra, não o mais alto, mas daqui dá para ver a linda vila da Lousã, lá em baixo.



Mas isso ficaria para mais tarde, ainda passaria por Casal Novo, uma das aldeias da Serra da Lousã que faz parte da rede Aldeias do Xisto, um projeto que visa preservar uma série de aldeias afim de manter a identidade e proteção do património.
Casal Novo é uma das aldeias mais próximas da vila que dá nome à serra. Está situada numa encosta e toda ela parece pertencer a um filme. As suas casinhas em pedra com varandas de madeira, as ruas estreitas e os pátios encontram-se recuperados e uma maioria são alojamento local, pois as suas gentes há muito tempo partiram para outros lugares, à procura de emprego. Com o crescente interesse pela região, muitas casas recebem turistas, o que tem vindo a permitir a aposta na recuperação das habitações.


Lousã

Lousã

Lousã

Lousã

Lousã

Lousã

E chegados ao ponto mais alto da Serra da Lousã, o Alto de Trevim com 1205 metros de altitude, a vista é mesmo de cortar a respiração. Com o já celebre Baloiço de Trevim é capaz de ser uma das imagens mais conhecidas quando se fala da serra.

Serra da Lousã


O sol engana, pois ao ar livre as temperaturas estavam realmente muito baixas, tanto que ainda havia vestígios da neve que caíra uns dias antes e que o sol ainda não tinha conseguido derreter.



Cheguei à vila da Lousã numa tarde muito fria de Janeiro mas ainda com sol no horizonte. O pequeno castelo ergue-se num monte mas estava fechado para manutenção, o que não permitiu uma visita.


Ali pertinho passa a ribeira de S. João onde está instalada a praia fluvial Nossa Senhora da Piedade ao lado do santuário com o mesmo nome. O acesso faz-se por um passadiço. No verão esta praia tem bandeira azul, o que significa que reúne todas as condições necessárias, limpeza e assistência. Agora, claro, está desativada mas dá para imaginar como deve ser maravilhosa nos dias de calor.
 


Existe um percurso pelo Santuário de Nossa Senhora da Piedade - as fotos não ficaram muito boas - e o caminho continua pelo ribeiro.




É sem dúvida um passeio maravilhoso e mesmo com uns 10 º de temperatura, o ambiente é paradisíaco. O cheiro da natureza, o barulho da água que corre no vale, ali mesmo junto à vila e ao castelo... tudo isto faz parte de um cenário de conto de fadas.

Se estão a pensar visitar a Serra da Lousã, não deixem de passar pela vila. Tudo ali se encontra bem integrado, numa comunhão com a natureza que vale mesmo a pena conhecer. No próximo post irei mostrar duas aldeias desta serra maravilhosa.

 
Coordenada GPS:

Casal Novo: N40º05'49.9'' W8º14'15,6''

Vila da Lousã: N40º05'43.0'' W8º11'40.5''