3 de outubro de 2022

Pela raia espanhola

Portugal encontra-se no ponto mais a ocidente da Europa continental e tem Espanha como único país vizinho, mas isso já todos sabemos, não é assim? Talvez por ser um país pequeno em termos de área geográfica, por vezes gosto de dar um pulinho a Espanha quando passo perto da fronteira, apenas para ir ver "o outro lado". 

E hoje lembrei-me de mostrar um pequeno percurso que fiz pela zona raiana, nas últimas férias. 

Partindo do Pomarão, seguimos viagem por onde as setas indicam o caminho para Espanha e chegámos àquele que seria o primeiro ponto de paragem: El Granado. Um lugarejo pequeno, sob um sol escaldante que mantinha as pessoas afastadas das ruas. Aqui a tranquilidade é constante, percebemos que umas das principais diferenças em relação às aldeias alentejanas é mesmo a arquitetónica. O tijolo é parte integrante das fachadas dos pequenos edifícios, mas a harmonia continua constante. 


Estátua lembrando o contrabandista de outros tempos



Também aqui a atividade mineira teve a sua importância e encontra-se em evidência, havendo mesmo um museu dedicado ao tema.


Seguimos viagem com o rio Guadiana à vista.

A próxima paragem aproxima-nos ainda mais de Portugal, tanto que é possível ver Alcoutim ali mesmo em frente. 

Paramos em Sanlúcar de Guadiana e do alto do castelo de S. Marcos a vista é deslumbrante: reparem como o rio separa duas vilas vizinhas pertencentes a países diferentes. Do lado de lá é Portugal com Alcoutim ali mesmo à beira rio, mas a travessia só é possível de barco, estranhamente não existe ponte que una os dois lugares.


Tem no centro a igreja Virgen de las Flores e uma estátua de homenagem à dança típica das festas (podem ver aqui





"El Canastero"


A vista, a partir de Portugal

A vista de Portugal, a partir de Espanha

E como não dá para passar sem ser de barco (a foto panorâmica foi de uma outra ocasião), seguimos caminho para Villanueva de los Castillejos.
Aqui, encontrámos uma pequena cidade com ar festivo, com as ruas principais alegremente decoradas, vestígios de uma festividade recente.





Romeiros das festas da Virgen de Piedras Albas

 
E daqui voltámos para Portugal um pouco mais a sul e posso dizer que foi um passeio bastante agradável. Espero que tenham gostado de conhecer, ainda que brevemente, estas três localidades espanholas tão próximas de Portugal, todas pertencentes à Província de Huelva, na comunidade autónoma da Andaluzia.


22 de setembro de 2022

Aljustrel

Como devem ter reparado, tenho vindo a falar de pequenas vilas interessantes ao sul de Portugal, no Alentejo profundo. Hoje chegou a vez de Aljustrel, uma simpática vila que é sede de município e pertence ao distrito de Beja. Sabe-se que a ocupação daquela zona remonta pelo menos a cinco milénios, contudo os maiores vestígios são dos romanos que ali se instalaram por volta do 1º século A.C. fazendo da extração do cobre uma das principais atividades. De registar que a vila está situada na famosa Faixa Piritosa Ibérica, que compreende uma área de subsolo muito rica em minério. Como toda a região, também Aljustrel esteve ocupada pelos muçulmanos que lhe chamaram Albasturil. Mais tarde, com a reconquista cristã, mudariam o nome à localidade que se transformaria em vila com a atribuição de carta foral em 1252 por D. Afonso III.

Vista a partir do Moinho, com o Santuário ao longe

Até aos dias de hoje a atividade mineira tem tido um papel fundamental na economia da região, a par da agricultura e também da exploração agro pecuária (em menor escala). 

Mas como Aljustrel é um lugar muito agradável para ficar a conhecer, deixo então umas fotografias que ilustram bem a sua beleza. Espero que gostem.

Moinho do Maralhas

Moinho do Maralhas

Igreja da Misericórdia de Aljustrel
Igreja da Misericórdia de Aljustrel

Santuário da Nossa Senhora do Castelo


No alto do Santuário encontra-se também um marco geodésico




Referência às Minas

Bairro dos mineiros

Espero que tenham gostado de ver mais uma vila alentejana de grande beleza. Para quem não conhece, acredito que fiquem com vontade de visitar, se conhecem, poderão certamente acrescentar algo ao que aqui foi dito.
Deixem nos comentários a vossa opinião, eu sei que não tenho publicado com a mesma frequência, mas conto voltar a fazê-lo.
Abraço

14 de setembro de 2022

Castro Verde

Já sabem que gosto de trazer fotos e falar um pouco de lugares por onde passo, alguns pela primeira vez, outros que conheço há mais tempo e onde acabo por voltar. Hoje falo-vos de Castro Verde, uma bonita vila alentejana situada bem a sul do país, que é sede de concelho e parte integrante do distrito de Beja. Com uma história muito antiga, existem vestígios de ocupação humana desde a pré-história e terão sido os romanos a dar-lhe o nome de Castrum Veteris o qual, ainda que modificado, se manteria ao longo dos tempos.

Castro Verde é uma vila tranquila, à semelhança de outras localidades alentejanas, e está situada numa zona de grande riqueza mineira: a Faixa Piritosa Ibérica. As Minas de Neves-Corvo, a uma proximidade de 20 km representam um posto de trabalho para muitas pessoas. Grande parte da economia da região gira também em torno da exploração agrícola e pecuária. 

Uma rotunda original com porcos em pedra



O evento que marca a região é sem dúvida a Feira de Castro que se realiza anualmente no terceiro fim-de-semana de Outubro, transformando a vila num grande mercado a céu aberto. Vêm comerciantes e compradores de todo o lado e vende-se de tudo, desde roupa a artesanato e antigamente era mesmo uma das poucas oportunidades que as pessoas tinham de adquirir tecidos e utensílios para a casa, já para não falar das transações de animais que ali se faziam. Claro que os produtos hortícolas também estão em grande destaque.
A primeira edição aconteceu por volta de 1620 e foi instituída por D. Filipe II para assim se conseguir apurar a verba para a reconstrução da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.

Igreja da Nossa Senhora dos Remédios

Percorrendo a pé aquela que é uma das ruas principais, podemos observar as características únicas de cada fachada, passamos pelo pequeno jardim, pelo edifício dos Paços do Concelho com o Padrão à sua frente e terminamos no largo da Igreja Matriz, construída no séc. XVIII.


Fachadas singulares



Paços do Concelho e Padrão

Igreja Matriz do séc. XVIII

Depois disto tudo, tenho a certeza que quem não conhece Castro Verde ficou com vontade de fazer uma visita e agora aproveito para deixar uma última curiosidade: a Estrada Nacional nº 2 que liga Chaves a Faro numa viagem entre os extremos do país e é hoje uma rota turística em voga, passa por Castro Verde ao Km 640 o que significa que pode carimbar aqui o seu passaporte e guardar como recordação.
Mesmo que não faça o percurso completo de uma só vez, tem aqui mais um motivo para passar pela localidade.

5 de setembro de 2022

Almodôvar

Hoje volto com uma pequena maravilha, daquelas que o nosso país tem e que tão bem sabe preservar. É sede de concelho e pertence ao distrito de Beja, esta pequena vila situada na planície alentejana, com uma ponta do seu município a tocar a Serra do Caldeirão.

Sabe-se que teve ocupação humana desde a época pré-histórica, mas foi com a expansão romana para ocidente que esta região cresceu em termos de importância estratégica. Por ali também se fixaram muçulmanos aquando da ocupação Ibérica e mais tarde, na primeira metade do século XIII, o domínio cristão estendeu-se por terras de Almodôvar, integrando-se no território português e tendo o rei D. Dinis concedido carta de foral em 1285.

Em Almodôvar o sossego e o silêncio imperam. A tradição sente-se nas ruas com as típicas casas baixinhas e brancas orladas a amarelo, destacando-se como monumento a Igreja Matriz de Santo Ildefonso. 



Igreja Matriz de Santo Ildefonso

Igreja Matriz de Santo Ildefonso

Pintura que restou de um festival que infelizmente deixou de se realizar

Antigo lavadouro

Existe também uma pequena ponte medieval que, acredita-se, tenha sido construída sobre uma ponte romana. A ribeira está seca, o calor tem sido muito e é uma zona onde pouco chove.

Ponte romana

A principal atividade económica é a agricultura mas dado que se situa numa área onde existe exploração mineira que representa também um papel importante na economia da região, recentemente foi erguida uma escultura de homenagem ao mineiro, da autoria de Aureliano Marques de Aguiar.

Mesmo à saída da vila encontramos a albufeira da Barragem do Monte Clérigo. Pertence à bacia hidrográfica do rio Guadiana e serve essencialmente para reter água a ser utilizada na agricultura. É um local perfeito para ir a banhos no verão, embora não seja vigiado, pratica-se canoagem e é ótimo para dar uns mergulhos.




Não sei se já conheciam este lugar, quem gosta de sossego e quer passar uns dias descansado e em total relax encontra aqui o espaço ideal.