14 de outubro de 2019

Plum Garden Autumn

Ainda era Verão quando foi lançado mais um projecto Tilda, desta vez o do Outono, o Plum Garden Autumn . Ciclicamente são lançados novos projectos e se antes tínhamos que comprar os livros para ter os moldes, agora os mesmos são disponibilizados no site. Desta vez, para além de outros, existe o projecto da boneca anjo. Tudo isto pode parecer estar agora muito à mão, mas não é tão simples assim. As bonecas Tilda têm um certo grau de dificuldade e só após alguns anos nisto das costuras, um dia consegui ganhar coragem para fazer.
 
Boneca de pano
 
A exigência é sempre a mesma: antes de começar, escolher e coordenar os tecidos e padrões com vista a que tudo fique harmonioso. Tenho imensos tecidos, como devem calcular, e perco horas a escolher. Tem o seu quê de angustiante, pois se por um lado tenho várias opções, por outro há sempre uma cor que falta, ou que vimos na loja e afinal não trouxemos, ou que junta padrões que não ficarão bem no final... Esquisitices minhas que acho que conseguem perceber.

 
Escolhidos os tecidos, há que deitar mãos à obra: Pegar no molde, riscar no tecido e lançar-me numa boneca  com pormenores que desafiam a paciência e habilidade. Curvas e contracurvas na máquina de costura, braços e pernas fininhas e longas para desvirar e encher... costurar à mão todos os elementos e terminar colocando o cabelo, desenhando os olhos e colorindo as bochechas.
 
 
Não se faz de uma vez só. Leva dias, tem que haver disponibilidade e às vezes até é feita entre outros projectos, principalmente no caso de ser a primeira e precisar de uma redobrada atenção.
 
Mas, mais do que tudo isto, uma coisa é essencial: amor. Sem ele não conseguiria. Para além da disciplina no fazer, também a dedicação e afeição são coisas que eu exijo pois sem elas nada disto seria possível.
 
Porque depois de cada uma terminada, olho e sinto aquele orgulho bom, aquela paz do trabalho finalizado e aquela alegria de concluir algo que, espero, viva muitos e muitos anos nas mãos de alguém.
 
 

boneca de pano
 
E assim termino hoje, num post um pouco mais introspectivo. Em jeito de balanço, que às vezes dá-me para estas coisas.

1 de outubro de 2019

O móbile do João

Recentemente fiz mais um móbile, para uma cliente que já conhece o meu trabalho e que sabe que pode contar sempre com a dedicação e empenho que coloco em cada pormenor.
Desta vez foi para um menino de seu nome João e, por curiosidade, fui ver o significado do nome.
 
João
 
Segundo o Dicionário de Nomes Próprios, João é de origem hebraica, significando algo como "agraciado por Deus".  Tem a sua própria versão em diferentes línguas e, embora numa forma mais arcaica, o primeiro registo do nome em Portugal aparece em documentos do século IX.
 
E, gosto sempre de perguntar: há algum João nas vossas vidas?
 

28 de setembro de 2019

Reutilização

A minha mania de fazer alterações! Não levava saco e comprei um no supermercado. Mas não achei bonito o logotipo ali mesmo a meio. Não que eu me importe com logotipos (afinal, também tenho o meu) mas a meio, num contraste duvidoso e sem a mínima graça, não gostei. Lembrei-me então de colocar um bolso. Ficou um de cada lado, sempre servem para guardar os talões, a lista de compras ou a factura.
 


23 de setembro de 2019

Postais de Mértola

Quem acompanha o blog sabe do meu carinho por Mértola. Tenho um gosto especial pela região e concretamente por esta vila situada em pleno  Parque Natural do Vale do Guadiana que é sede de concelho e pertence ao distrito de Beja, e hoje gostaria de falar um pouco da sua história e de mostrar algumas das imagens que compõem a vivência desta localidade.
 
Situada na margem direita do Guadiana, toda esta área já se encontrava habitada na época do Neolítico, mas foram os Fenícios que fizeram ali um importante porto fluvial. Com a invasão romana na Península Ibérica, o número de habitantes terá aumentado e mais tarde os Visigodos tomariam o seu lugar, ao que se seguiu a presença dos muçulmanos através de ocupação territorial. Em 1238, D. Sancho II reconquistaria Mértola e toda a região, alargando assim o território português.
 
A vila acabaria por se desenvolver à volta do castelo, sendo esta imagem uma das mais características quando se pensa em Mértola.

Mértola

A Torre do Relógio é também um ícone. Pensa-se que serviria para vigilância e fornecimento de água e a sua construção situa-se algures nos finais do sec. XVI.

Mértola

Pelo facto do rio ser facilmente navegável, desde sempre esta zona foi alvo de conquistas. Do Mediterrâneo navegava-se pelo sul da Península e entrava-se em território Ibérico pelo rio. Daí as trocas comerciais terem sido tão prósperas em séculos passados.

Mértola

Uma imagem do casario tipicamente alentejano situado dentro das muralhas, com vista privilegiada para o rio.

Mértola

Impossível atravessar a vila raiana e não reparar no edifício do Cine-Teatro Marques Duque . Está situado numa das ruas mais movimentadas e tem uma história única que vale a pena conhecer.

Mértola

E que dizer dos Gelados Nicolau? Ninguém resiste.

Mértola
 
O Sr. Amândio Correia, que muitos tratam por Nicolau, recebeu do pai os conhecimentos sobre o famoso gelado que é até marca registada. O Sr. Nicolau, ia buscar o gelo a Vila Real de Santo António, numa época em que ainda nem havia electricidade em Mértola. E passou o segredo ao filho, que vende gelados desde jovem nas ruas da vila e em todas as festas da região. Pode-se dizer que é uma figura pública, embora a sua humildade não o deixe transparecer.

Mértola

E nem a propósito do nome dos gelados, coloco uma fotografia que poderia lembrar a Lapónia com um pormenor de um monumento.

Mértola

Ao longe a ponte iluminada sobre o rio Guadiana, mais um símbolo deste zona por onde se pode atravessar se quisermos chegar ao centro da área protegida.
 
Espero que tenham gostado desta voltinha por uma vila tão rica de tradições e memórias. Já tiveram oportunidade de conhecer a região?

Coordenadas:  Latitude: 37.6389, Longitude: -7.66216
                                       37° 38′ 20″ Norte, 7° 39′ 44″ Oeste
                          
 
Até breve, Mértola.



20 de setembro de 2019

Preparada para dormir

Fiz esta versão da boneca Tilda a partir do molde "Angel With Bird". Ficou com um pijama muito romântico e não coloquei as asas por opção. Também não coloquei a gaiola que vem no molde, não fazia sentido neste caso.
 


 
 
Já está no quarto da sua dona para iluminar os seus sonhos. 

17 de setembro de 2019

Sobre (a)mar

Chegar pouco depois das 8h da manhã à praia num domingo, tem destas coisas. Um mar fantástico onde se pode molhar os pés. Um céu incrível a refletir na água.





 

Imaginem o cheiro a maresia... alguém reconhece esta praia?

10 de setembro de 2019

Reciclagem

Se tinha um frasco, tinta, cordel e uma plantinha artificial, o que é que haveria de fazer?
 

Comecei por lavar muito bem o frasco de doce para lhe retirar qualquer impureza. Depois de bem seco, apliquei a tinta com um pincel macio, por dentro do frasco. Ao principio a ideia seria pintar por fora com tinta bem opaca, mas como esta é muito espessa, acabam sempre por ficar risquinhos do pincel. E como tive que dar várias demãos, por fora correria o risco de não ficar tão uniforme. O ideal seria aplicar a tinta com um pequeno rolo mas não tinha na altura e queria muito fazer esta reciclagem.
Um bocado de cordel que andava por ali e uma plantinha artificial bonita fizeram o resultado que a foto mostra.

 
Um miminho para enfeitar uma prateleira. Barato, rápido e com materiais reciclados.
 
Gostaram do resultado? Espero que vos inspire a recriar com o que têm aí por casa.

5 de setembro de 2019

Por terras de Alcoutim

Andei mais a sul e trago imagens para partilhar de uma localidade quem não será tão conhecida como outras vilas do Algarve. Embora já se esteja em território Algarvio, quando chegamos a Alcoutim vindos no sentido norte/sul o que se sente é que chegámos a uma vila pacata escondida entre o rio e a serra e afastada do mar e das multidões. Esta pitoresca vila raiana de casinhas brancas tem o Guadiana que a separa da sua vizinha espanhola, a qual avistamos do cais onde não é possível deixar de reparar na quantidade de barcos de recreio que por ali navegam.

 
Alcoutim tem histórias de rio mas também tem histórias de contrabando, actividade a que muitos dos seus habitantes se dedicavam noutros tempos e que deu origem ao Festival do Contrabando como forma de manter vivas as lembranças de um passado que acaba por moldar a memória.

 
O nome da localidade tem origem árabe que significaria "o falcão real", segundo o historiador Adalberto Alves, tendo recebido foral em 1304.  É sede de município e pertence ao distrito de Faro.
Embora seja uma terra onde a calmaria se faz sentir, a oferta a nível de restauração é bastante variada, o que permite ao viajante optar por uma refeição ligeira ou mais completa e se quiser pode até saborear uma bebida num dos vários bares existentes.






Não sei se já algumas vez passaram por Alcoutim, mas se não o fizeram, aproveitam numa próxima oportunidade, pois vale bem a visita.

Coordenadas: 37º 28' N 7º 28' O

2 de setembro de 2019

Voltei

De regresso ao blog, cheia de energia, gostaria de desejar a todos vocês um excelente Setembro que agora começa e que nos traga coisas muito boas.
 
 
Para quem estranhou o meu feed do Instangram ultimamente, tenho a dizer que esta boneca andou comigo para toda a parte, o que significa que já faz parte da família.
 
 
 
Quem estiver interessado numa semelhante, é só enviar mensagem para o email coisasdefeltro@hotmail.com
 
Agora sim, voltei ao trabalho.

 
 
 
 
 





17 de agosto de 2019

Deixa-me rir

Pois é, finalmente assisti a um concerto do Jorge Palma. Gosto das suas músicas desde sempre. Digo há imenso anos que quero vê-lo em palco, mas ainda não tinha acontecido e, quase de um momento para o outro descobri um concerto... e foi desta.
 
O que posso dizer? Que foi simplesmente brutal!
 
Não é por acaso que lhe chamam o trovador, o seu espetáculo consegue chegar a toda a gente. Penso que mesmo que alguém não conhecesse todas as suas músicas, nem soubesse de cor grande parte das letras teria ficado rendido a tanto talento.
O espetáculo começa suavemente, entre um Jorge Palma algo tímido e uma garra enorme na música e vai evoluindo, deixando todos em êxtase com as últimas músicas a rasgar o som.
 
Agarra na viola, vai para o piano, pega na guitarra elétrica, volta ao piano, isto tudo enquanto nos encanta com as músicas que tão bem conhecemos como "Deixa-me rir", "Dá-me lume" e tantas, tantas, que oiço desde miúda. De salientar a mestria com que se acompanha ao piano em "Estrela do Mar" num absoluto silêncio do público que fica rendido à atuação e, claro de "Encosta-te a mim" que todos sabem de cor.
 
Um concerto que não esquecerei, onde aguardei pelo inicio mesmo junto às grades de separação do palco e que valeu estar a uns quantos metros do grande trovador.
 
 
Um concerto memorável! Um aplauso para este grande músico!
 
 
"Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
e em que o sono parecia disposto a não vir
fui estender-me na praia sozinho ao relento
e ali longe do tempo acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
e uma cara sardenta encheu-me o olhar
ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar"
 
in "Estrela do Mar"
 
 

5 de agosto de 2019

Aura Festival em Sintra

Nos últimos dias, Sintra recebeu a 5ª edição do Aura Festival. Este ano subordinado ao tema Light Atmospheres, foram apresentadas 10 obras de autor que durante 4 noites iluminaram o centro da vila. Novamente estive lá, à semelhança dos anos anteriores (podem ver aqui e aqui ) e trago algumas imagens do que por lá vi. Não fazem justiça à beleza das instalações, porque  no local elas transmitem uma mensagem valiosa, de preocupação pelos recursos do planeta e, sendo à noite, nunca se consegue captar na lente toda a beleza destas obras de arte construídas de luz e som.
 
Talvez seja a peça mais icónica deste ano. Gaia de Luke Jerram é uma  esfera de sete metros de diâmetro que reproduz fotografias obtidas por um satélite da Nasa. Tem sido apresentada em imensas exposições tendo estado, inclusivamente, no Museu de História Natural em Londres.
 
Aura festival

Aura Festival
Um belo efeito, através das árvores

Entretanto, as cores nas próprias árvores por ali eram maravilhosas e permitiam-nos apreciar as obras seguintes


Digital Landscape - de Markus Jordam

Aura Festival
 
Moon Flower de Mathieu Tercieux. Lasermapping interativo numa parede no Miradouro dos Castanheiros.
 
Aura Festival
 
De Oskar & Gaspar. Uma projecção em vídeo mapping sobre a fachada do Palácio da Vila intitulada "O Nosso Mundo Chegou ao Fim?"

Aura Festival


As árvores com um brilho diferente
 
Error-43, com a instalação Nasci, nasci. Aqui um pequeno pormenor onde é simulada a vida marinha através de criaturas tecnológicas que interagem com o visitante..

 
E assim se fez mais uma edição do Aura Festival. Não consegui boas fotos das restantes instalações mas asseguro-vos que estavam bastante interessantes, tendo como lema comum o nosso planeta e a sua sobrevivência. Cada vez mais este tema é apresentado sob diversas formas, o que me parece ser um sinal positivo, pois a arte também deve refletir as nossas preocupações e este é, sem dúvida, o tema do momento.

E que bem sabe passear por Sintra à noite e ver a arte nas ruas.

26 de julho de 2019

Cheesecake de lima e limão

Verão combina com coisas frescas e nada como um cheesecake acabado de sair do frio para nos refrescar numa tarde quente de verão. Cremoso, com um toque de acidez e o perfume do limão e da lima, este é um doce que agradará de certeza aí em casa.

Cheesecake

 
Deixo aqui a receita para que possam fazer também:

200 gr de corn flakes
100 gr de manteiga
1 lata de leite condensado
4 dl de natas
200 gr de queijo creme
Sumo de 2 limões e 2 limas
5 folhas de gelatina
 
Comece por triturar os corn flakes e misturar com a manteiga amolecida. Terá que ficar numa consistência que permita fazer a base do cheesecake. Deve ser espalhado uniformemente numa forma de fundo amovível e colocada no frigorífico para refrigerar.
 
Entretanto, pôr de molho as folhas de gelatina para hidratar, bater as natas até ficarem em ponto de chantilly (pode adicionar um pouco de sumo de limão para prender mais facilmente).
 
Num recipiente à parte, misturar o queijo creme com o leite condensado e o sumo dos citrinos. Adicionar a gelatina que entretanto foi escorrida e diluída num pouco de leite morno (pode usar uma colher de leite condensado e levar ao micro-ondas).
 
Quando o creme estiver bem homogéneo é só envolver nas natas batidas com a ajuda da vara de arames  e deitar sobre a base. Levar ao frigorífico algumas horas.
Enfeitar e servir o cheesecake bem fresco.
 
Bom apetite!
 

22 de julho de 2019

Cais Palafítico da Carrasqueira

O Cais Palafítico da Carrasqueira é atualmente um dos spots preferidos por quem gosta de fotografar, seja a nível amador ou profissional. Tornou-se num daqueles lugares que depois de muitas décadas limitado ao conhecimento dos habitantes da região, de repente é um ex-libris da zona e muitas são as pessoas que rumam à Carrasqueira só para conhecer um cais tão peculiar. Também eu tenho andado curiosa pois as fotografias que via despertavam-me a enorme vontade de ir conhecer de perto.
 
Claro que as melhores alturas para fotografar deverão ser ao nascer e ao pôr do sol, mas como não me foi possível, cheguei lá ao inicio da tarde e realmente encontrei uma paisagem incrível.
 
Estacas irregulares e com aparente fragilidade formam um extenso cais onde pequenas embarcações ali se encontram atracadas. Também as casinhas para guardar as artes de pesca conseguem dar um aspecto curioso ao local: umas perfiladas na beira rio, outras colocadas no acesso directo de cada barco, algumas detêm pormenores decorativos que acabam por contribuir para todo o exotismo que ali encontramos.
 
Tudo aquilo merece um olhar atento, um sentir com calma a paisagem ao redor e a tranquilidade que ali se respira.
 















Fruto do esforço da população pesqueira, que começou nos anos 50 a sua construção para ter acesso aos barcos de pesca mesmo durante a maré baixa, este cais é agora motivo de interesse por parte das gentes de fora. Está situado na extremidade da aldeia da Carrasqueira, a cerca de três quilómetros da Comporta numa zona pertencente à Reserva Natural do Estuário do Sado.
 
E é esta paisagem considerada única na Europa, que tanto tem despertado a curiosidade dos turistas nos últimos anos. Se ficaram com vontade de visitar, saibam que quer optem por atravessar o Sado a partir de Setúbal, quer se dirijam através da planície alentejana, o caminho faz-se de uma forma agradável e com acessos bem sinalizados. Deixo aqui as coordenadas para facilitar:
 
Cais Palafítico da Carrasqueira
 
Coordenadas GPS:38º24'45.61"N  8º45'24.78"O
 
E agora a pergunta que não podia faltar: já foram visitar esta zona? Ou pelo menos ficaram com vontade de lá ir?