28 de março de 2026

Beja II

Já não é a primeira vez que falo sobre esta bonita localidade alentejana e desta vez venho fazer uma pequena tour pela cidade.


Começamos pela Sé Catedral de Beja. Na origem desta catedral terá estado uma igreja medieval mas a mesma teria sido destruída para dar origem à Sé inaugurada no sec. XVI e que terá passado por obras de melhoramento e requalificação.

Sé Catedral

Não longe dali, temos o Hospital Grande de Nossa Senhora da Piedade, mandado construir por D. Fernando para receber peregrinos e doentes. Dessa estrutura original já pouco resta, destacando-se a portaria em estilo gótico e manuelino. Foi entregue à Santa Casa da Misericórdia, que faz a sua gestão.




No pátio lateral podemos ter acesso à capela da Nossa Senhora da Piedade, com o interior ricamente decorado em talha dourada, erguida mais tarde a mando de D. Manuel, Duque de Beja, em 1490.
 
Capela da Nossa Senhora da Piedade

Interior da Capela

Seguimos caminho, indo ter à praça onde se encontra o edifício sede da Câmara Municipal.


Câmara Municipal de Beja


Não longe daqui temos a Igreja da Misericórdia, num estilo profundamente inspirado no Renascentismo Italiano. Originalmente não foi pensado para ser uma igreja. Em 1530 D. Luís Duque de Beja pretendeu dar à cidade algo grandioso e aquando da sua conclusão o monarca decidiu entregar o espaço à confraria da Santa Casa da Misericórdia e aí ficou instalada a igreja. Felizmente as intervenções seguintes respeitaram sempre a fisionomia imponente do edifício.

Igreja da Misericórdia.



Este passeio não pretende cingir-se à construção religiosa, mas Beja é tão rica em igrejas que é impossível fazer uma tour sem passar e admirar estes belos edifícios. Outro exemplo é o da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres. A sua construção deu-se entre os séc. XVI e XVII no estilo maneirista português, que tanto estava em voga à época.

Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres

Mais uma rua, mais uma obra de arte, neste caso na fachada de um hotel. Vhils, com o seu cunho característico, esculpiu na parede os rostos da poetisa Florbela Espanca e do poeta e escritor bejense Mário Beirão.


Chegados à Igreja de Santo Amaro, uma das mais antigas da cidade, cujas origens remontam ao século X e que terá sido erguida pela comunidade Moçárabe de Beja, entramos para conhecer o núcleo Visigótico pertencente ao Museu Rainha D. Leonor e instalado nesta igreja. Este núcleo é considerado um dos mais representativos da passagem dos visigodos pelo território português, com peças de valor incalculável.

Igreja de Santo Amaro


Núcleo Visigótico

Continuamos a nossa caminhada, paramos para beber e refrescar e aproveitamos para admirar a paisagem. Existem alguns pontos na cidade, de onde se pode ver a extensa planície em redor.


Não me posso esquecer de referir o castelo, mas como já o visitei anteriormente e aqui deixei um post, não me irei alongar.



E mais um pulinho, estamos no parque na cidade. Claro que nem tudo se fez a pé, mas essencialmente foi um passeio descontraído, e chegados ao parque podemos sentir a paz e tranquilidade de uma área bem preservada e um excelente espaço de lazer.






Ainda deu para passar junto à Ermida de Santo André, cuja construção se terá dado entre os séc. XV e XVI, provavelmente sob a direção de D. Manuel I.


Uma última paragem curiosamente na estação de comboios, famosa pelos seu azulejos e edificação em geral e damos por concluída a nossa volta por Beja.




Muito ficou por ver, nem sempre se conseguiu ou houve oportunidade para entrar em todos os edifícios mas uma certeza fica sempre depois destas incursões: Portugal tem tanto de belo para visitar. 
Se quiserem ver o outro post que fiz há alguns anos espreitem aqui.

Abraço e até uma próxima oportunidade.

Posto de Turismo de Beja
Coordenadas: 38.01725, - 7.865139
Largo Dr. Lima Faleiro



19 de março de 2026

Pai

Pai é proteção e abrigo. É carinho e segurança.

E o meu é também um caso de muita paciência. Depois de uma vida de trabalho veio a reforma e como não é de ficar parado, lá arranjou uma (de entre muitas outras) formas de se entreter. Começou por construir manualmente pequenas casinhas regionais. Transformou a curiosidade em paixão, aperfeiçoando a arte e construindo cada vez com maior complexidade, recorrendo a materiais diversos que ele testa e explora, numa busca constante pela perfeição. Muniu-se também de ferramentas mais adequadas que lhe permitem uma maior minucia e excelência nos acabamentos, não perdendo contudo o caracter artesanal dos seus projetos.

Distribui pelos amigos e conhecidos, envia para longe, apenas pelo prazer de entregar um pouco da sua arte e do seu tempo. 

As peças que fotografei são as mais simples, das primeiras que experimentou mas que significam exatamente o início de algo que descobriu já depois de ter deixado para trás uma vida de trabalho que em nada tinha a ver com modelagem.


E sendo hoje Dia do Pai e também do Artesão, lembrei-me que poderia vir a propósito deixar aqui uma sincera homenagem.

Abraços a todos os pais que estão aí desse lado.




28 de fevereiro de 2026

A Ilha - Review

Victoria Hislop é uma escritora britânica, nascida em 1959 e formada em inglês pela Universidade de Oxford. Casada e com dois filhos, Victoria tem já editados uma série de livros e contos, cuja maioria tem como cenário a Grécia e as várias ilhas circundantes.

O amor pela Grécia e o contributo para uma melhor compreensão da sua cultura levou mesmo a que lhe fosse concedida a cidadania grega.

O Livro

Este seu primeiro romance A Ilha, publicado em 2005 com o título original "The Island" decorre, como não poderia deixar de ser, na Grécia, mais concretamente na localidade de Spinalonga, uma pequena ilha ao largo de Creta que foi durante largos anos uma colónia de leprosos, um lugar para onde eram enviadas as pessoas com lepra, mantendo-as assim afastadas das suas familias e isoladas do mundo. Quem era enviado para lá sabia que mais tarde ou mais cedo iria ali falecer, numa altura em que a doença não tinha cura e era altamente estigmatizante.

A história começa quando Alexis Fielding parte para a Grécia para tentar resgatar o seu passado e encontrar respostas sobre a mãe, que não chegou a conhecer verdadeiramente. Este será o ponto de partida para o leitor acompanhar Sofia Petrakis, a mãe de Alexis, numa jornada de luta e resiliência, marcada por episódios comoventes numa época que não deve ficar esquecida.

A Minha Opinião

Muito bem escrito, este romance transporta-nos para uma realidade diferente daquela a que associamos as ilhas gregas. É um livro marcante que, para uma pessoa curiosa como eu, despertou a vontade de pesquisar um pouco sobre o tema, o que tornou a experiência de leitura ainda mais enriquecedora.

Por tudo isto, aconselho este livro. É o primeiro que leio de Victoria Hislop mas acredito que não será o último.


23 de fevereiro de 2026

Museu de Lisboa - O Teatro Romano

Lisboa é uma cidade com muitas historias para contar. Muito antiga, por aqui já passaram muitos povos e diferentes culturas tendo cada uma deixado marcas, que em alguns casos ainda estão em parte por descobrir. No sentido de mostrar a todos os interessados o tanto que a cidade representa, foi criado o Museu de Lisboa. Distribuído por cinco polos em diferentes locais da cidade, o visitante tem oportunidade de compreender melhor toda a estrutura, do ponto de vista histórico e também socio-cultural.

E é sobre o polo que engloba o antigo teatro romano, que o meu post de hoje incide. Situado na Rua de S. Mamede resulta da descoberta de um teatro do século I da nossa Era, altura em que grande parte da Península Ibérica pertencia ao Império Romano, tendo Lisboa recebido o nome de Felicitas Julia Olisipo.

Este polo divide-se em duas áreas distintas; uma que é o espaço arqueológico propriamente dito e outra cuja exposição ocupa dois edifícios em frente e onde temos oportunidade de ver achados arqueológicos de várias épocas distintas e também uma perspetiva histórica do espaço envolvente.

Venham daí!

A nossa caminhada começa na zona da Baixa de Lisboa de onde partimos, atravessando o bairro da Mouraria no sentido ascendente.







Avistamos o Castelo um pouco mais acima, mas o nosso destino leva-nos até à Rua de S. Mamede e às escavações que puseram a descoberto parte do Teatro Romano que na sua época seria imponente, com espaço para 4.000 pessoas.







Daqui passamos para os edifícios do outro lado da rua, onde comecei a visita pelo primeiro andar. É um espaço muito bem aproveitado, com janelas e vista sobre o rio, permitindo circular à volta da sala térrea e ter uma perspetiva diferente do material exposto. Este espólio resulta das escavações no local e são peças de várias épocas deixadas sucessivamente por quem habitou nesta zona da cidade.














Se ficaram com curiosidade vejam aqui mais informação sobre o polo do Teatro Romano e aqui sobre as coleções de todo o museu em geral.

Foi o primeiro polo que visitei até à data, mas espero vir a conhecer todos os outros. Para já convido-vos a visitar o Museu de Lisboa e a conhecer um pouco melhor a história desta cidade.