5 de dezembro de 2022

Os Fofos de Belas

Acho que todos concordam comigo se disser que a doçaria regional portuguesa é das nossas melhores referências. Cada terra tem as suas iguarias, muitas das quais ainda feitas de uma forma caseira e  muito próximas da receita original. E se vos dissesse que um dos melhores bolos que comi ultimamente fazem já parte do nosso património doceiro, embora muita gente ainda não conheça a nível nacional?

Em Belas, uma vila pertencente ao concelho de Sintra, a Casa dos Fofos de Belas fabrica desde 1850 um bolo de massa de pão-de-ló com recheio, que se tornou ao longo dos anos motivo de visita para as pessoas que ali vão propositadamente para adquirir esta pequena maravilha. Aliás, toda a experiência se torna única porque a própria casa que os fabrica e comercializa mantém a simplicidade típica de uma leitaria de bairro do século passado. Mas é essa mesma característica que torna a Casa dos Fofos de Belas única. Para além dos fofos, produz também marmelada e doce de tomate que enche as vitrines e nos remete para tempos idos.








Pessoalmente, gosto de lá passar e comer um Fofo acompanhado de um café. É uma delicia que recomendo a quem gosta das coisas simples e genuínas que, felizmente, ainda podemos encontrar por aqui.

Morada: Rua Dr. Malheiros nº 18 Belas
Tel.: 214 310 254
Horário de funcionamento: 8:30h - 22:00h

Coordenadas GPS: 38º46'34.9''N 9º15'51.1''W

23 de novembro de 2022

O Parque das Nações

Em 1998 Portugal organizou a Exposição Mundial de Lisboa, conhecida como Expo 98, uma feira internacional onde países de todo o mundo se fizeram representar e dar-se a conhecer através de pavilhões de exposição e ações culturais. Tendo como tema de base Os Oceanos, o grande evento foi pensado durante muitos anos e para que pudesse acontecer, seria necessário um local com as dimensões necessárias e para isso foi escolhida uma zona a oriente da cidade de Lisboa que na altura até pertencia em parte ao concelho de Loures. Neste projeto grandioso que envolveu muitos meios e profissionais altamente especializados esteve sempre implícito o posterior aproveitamento e utilização do espaço que após a feira internacional se transformaria num local dinâmico e moderno. Assim nasceu o Parque das Nações, hoje completamente integrado no concelho de Lisboa e que prolonga a cidade para a zona oriental.


É uma área enorme e com múltiplas zonas de interesse, para além de também funcionar como parque habitacional. Começa sensivelmente no local onde a ponte Vasco da Gama atravessa o rio Tejo e termina onde anteriormente existiu uma refinaria de gaz, percorrendo alguns quilómetros na margem do rio.

É um pouco deste percurso que deixo hoje em imagens.


A ponte Vasco da Gama


Torre Vasco da Gama, o mais alto edifício de Lisboa, com 140 metros de altura

Estátua de D. Catarina de Bragança


Percurso de água com os célebres vulcões


No Pavilhão do Conhecimento está instalado o Centro Ciência Viva. É um local perfeito para visitar com crianças, uma vez que tem sempre exposições, umas permanentes outras temporárias, que permitem aos mais novos aprenderem sobre a natureza e tecnologia.


Outro espaço que faz as delícias de toda a gente é o Oceanário de Lisboa. Nele estão recriados habitats marinhos de todos os cantos do planeta e é possível ver até tubarões. Uma visita imprescindível para quem vem a Lisboa.


O teleférico junto ao oceanário




O teleférico é também um símbolo do Parque das Nações. Quem quiser pode fazer a viagem de pouco mais de 1 quilómetro, a 30 metros do solo e ter uma boa perspetiva de toda esta área. Está também aqui instalada uma das melhores salas de espetáculo do país. O Altice Arena recebe artistas internacionais e conferencias de grande projeção.

Altice Arena

Escultura de Bordalo II



Arte urbana


A famosa pala de betão do arquiteto Siza Vieira

E para terminar eis a mascote da Expo '98. O Gil pode ser visto em diversos locais do Parque das Nações e tem o seu nome em homenagem a Gil Eanes, o navegador português que dobrou o Cabo Bojador em 1434.


Muito mais haveria para mostrar: a Gare do Oriente tem uma estrutura em metal das mais bonitas alguma vez construídas, tornaram-se até icónicas as suas fotografias noturnas (talvez lá vá numa ocasião à noite tentar fotografar). Tem ainda um centro comercial enorme, para além de uma oferta diversificada na área da hotelaria e restauração. Existem pequenos jardins e áreas relvadas e muita arte urbana para admirar.

Por tudo isto fica o convite para visitarem o Parque das Nações. Quem já conhece talvez possa acrescentar alguma coisa ao que aqui mostrei.

Espero que tenham gostado.

18 de novembro de 2022

Aposta Indecente - review

O livro que trago hoje é totalmente diferente de todos os que tenho recomendado aqui. Para começar, é um romance de época, passa-se em 1854 e transporta-nos até França, mais concretamente até Paris e Vale do Loire.


O livro

Louis de Villeclaire é um homem com trinta e muitos anos, solteiro e bon vivant. Tem o título de marquês e é dono de uma das maiores fortunas de França. Nunca quis estar ligado a nenhuma mulher em particular mas o destino irá colocar no seu caminho Catherine Duvernois, uma jovem que ficou viúva e pela qual ele terá que se responsabilizar. Mas um outro percalço vem trazer à vida do marquês uma nova preocupação, com a qual ele terá que lidar mais cedo ou mais tarde.

A minha opinião

É um romance que se lê muito facilmente. Transporta-nos para os campos do Vale de Loire e para os salões dos seus famosos castelos. A escrita é fluída e precisa, com descrições bastante ilustrativas da sociedade francesa de meados do séc. XIX.

A autora

Propositadamente, deixei a apresentação da escritora para o final, isto porque o romance tem levantado uma certa curiosidade quanto à verdadeira identidade da sua autora que afirma ser esta a primeira obra publicada. 

Sabemos que a mesma assina como Matilda Wright mas a verdade é que não sabemos quase nada a não ser o que a aba da lombada nos diz: nasceu em Londres em 1968, estudou literatura em Cambridge, é casada, tem quatro filhos e uma propriedade em Cúmbria, no norte de Inglaterra, onde criam cavalos.

Outra curiosidade é que este livro nunca foi editado em Inglaterra, nem tem título em inglês. Há até quem diga que se trata de uma escritora portuguesa. Pelo meio encontrei aquilo que eventualmente pode ser um Easter Egg mas não vou adiantar mais nada.

Espero que tenham gostado desta recomendação, se ficaram com curiosidade, leiam Aposta Indecente e depois digam o que acharam.



14 de novembro de 2022

A minha primeira suculenta

Uma pessoa vai às compras e não consegue ficar indiferente a estas pequenas maravilhas. Era a última numa prateleira cheia de plantinhas de outras espécies e cores e decidi que esta tinha que vir comigo. Na foto pode não parecer mas é pequenina e as suas flores são minúsculas e perfeitas. É a minha nova aquisição no ramo dos verdes e passo a apresentar:


Suculentas

De seu nome científico Kalanchoe, é uma suculenta originária do continente africano. Gosta de temperaturas amenas e floresce entre o inverno e a primavera, não requerendo uma rega exagerada: nos meses frios uma vez por semana e no calor duas vezes, deixando mesmo a terra do vaso secar entre regas e tentando não molhar as folhas diretamente.

De resto, gosta de estar dentro de casa em locais bastante luminosos, sem incidência direta do sol pelo menos nas horas de maior calor e pode crescer até aos 30 cm de altura. Também é conhecida por Flor-da-Fortuna, talvez porque floresce nos meses de maior frio.

Vamos ver como corre, é a primeira suculenta que tenho cá em casa e espero que seja feliz junto com as outras plantas que tenho vindo a colecionar.

Têm alguma deste género em casa? Talvez me possam dar mais algumas indicações para a manter bem cuidada.

7 de novembro de 2022

Bolo de Amêndoa

Um chá a acompanhar uma fatia generosa de bolo de amêndoa, parece-vos bem? Nesse caso tenho a receita ideal, um bolo fofo e húmido para saborear com o chá da vossa preferência. Vamos então à receita.





Bolo
250 gr de farinha de trigo
100 gr de açúcar
1 iogurte natural
1 colher (café) de fermento
100 gr de manteiga
150 gr de farinha de amêndoa
4 ovos

Calda
200 açúcar
3 colheres (sopa) de água
sumo de um limão pequeno

Cobertura
amêndoas laminadas

Bata a manteiga com o açúcar e adicione os ovos, continuando a bater. Adicione o iogurte. Acrescente a farinha de trigo, o fermento e a farinha de amêndoa, envolvendo muito bem com a vara de arames.

Vai ao forno pré-aquecido a 180º em forma lisa sem buraco untada e enfarinhada, durante uns 30 minutos. Convém vigiar pois cada forno varia no seu tempo de cozedura.

Entretanto, coloque as amêndoas laminadas num recipiente antiaderente para levar ao lume, torrando-as ligeiramente. Reserve. 

Faça uma calda com o açúcar e quando estiver a ganhar a cor dourada, acrescente a água e o sumo de limão com cautela. Reserve.

Quando o bolo já estiver cozinhado, deixe-o arrefecer um pouco e desenforme para o prato de servir. Pique a superfície com um palito e pincele abundantemente com a calda. Faça aderir algumas amêndoas, espalhando de forma harmoniosa. Coloque mais calda e distribua as restantes amêndoas. Optei por não misturar as amêndoas diretamente na calda para não as amolecer e assim manter a superfície do bolo estaladiça mas se quiserem, podem misturar tudo antes de colocar sobre o bolo.

Bom apetite!

31 de outubro de 2022

Filmes fofinhos para ver no Halloween

Estamos naquela época do ano em que é inevitável falar-se do Halloween. Goste-se ou não, é cada vez mais difícil de ignorar, já que em todo o lado as decorações nos lembram que estamos na época em que tradições mais exclusivas de algumas regiões se propagaram por locais onde antes não se festejava. Mas hoje nem vou falar das origens destas comemorações que em Portugal são uma época lembrada de uma forma um pouco diferente.

Na verdade os mais novos estão expostos a filmes e séries um pouco arrepiantes, principalmente nesta altura do ano e para quem quiser juntar as crianças ou simplesmente desfrutar desta época no sofá, mas tem alguma renitência em ver filmes mais "fortes" elaborei uma pequena lista de filmes que (quase) todos podem ver tranquilamente.

Começo pelo mais antigo:

Charlie Brown e a Grande Abóbora

No original It's The Great Pumpkin, Charlie Brown, é um filme de 1966 que nos traz o grupo de amigos onde Lino é o menino que acredita que a Grande Abóbora o virá visitar na noite de Halloween.

Na época os Peanuts eram uns desenhos animados muito famosos que passavam no canal norte-americano CBS, que produziu este episódio especial. Esta curta metragem pode ser vista atualmente no Youtube, eu lembro-me de passar na televisão quando era criança.



Casper

Em 1995 Brad Silberling realizou o filme que trouxe para o grande ecrã a personagem do pequeno fantasma Gasparzinho que até aí era conhecido das histórias em banda desenhada. O único filme desta lista com personagens reais, contou com Christina Ricci e Bill Pulman nos papéis principais e Malachi Pearson que deu voz ao próprio Casper. Não consegui encontrar sem ser no youtube, mas pode ser que ainda apareça nalguma plataforma.


O Estranho Mundo de Jack

Um dos mais famosos filmes de Tim Burton, The Nightmare Before Christmas mostra como Jack entra acidentalmente na Cidade do Natal e, impressionado com a sua grandeza, tenta trazer os vários elementos para o seu mundo e altera a ordem natural das coisas. Quase toda a gente já viu este filme desenvolvido com a técnica de  Stop Motion e estreado em 1993. Quem quiser relembrar ou ver pela primeira vez, pode procurar na Netflix.


Coraline e a Porta Secreta

Ou simplesmente Coraline no original, estreou em 2009 sob a direção de Henry Selick. Esta animação em Stop Motion conta-nos a história de uma menina que não gosta de ser contrariada e que ao abrir uma porta que acabou de descobrir, irá conhecer uma nova família que parece ser tudo o que ela sempre desejou. Ou talvez não... Para ver na Netflix


Frankenweenie

Uma vez mais Tim Burton desenvolve uma história de contornos surreais. Neste caso conta a história de um menino que tenta trazer à vida o seu cão recentemente falecido. A história tem como inspiração o livro Frankenstein e foi lançado em 2012 tendo como particularidade ser a preto e branco. Neste momento pode ser visto ou revisto no canal Disney +.


Toy Story de Terror

Em 2013 a Pixar lançou a curta-metragem Toy Story of Terror que podemos encontrar atualmente na Disney +. Neste filme, vamos acompanhar os nossos conhecidos bonecos, quando uma viagem com Bonnie se transforma num momento de pura aflição depois de pararem num estranho hotel à beira da estrada e um deles desaparecer.


Soul

Produzido pela dupla Disney/Pixer em 2020, quis incluir este filme não porque seja exatamente sobre o Halloween, mas porque o tema incide sobre a morte ou a vida para além da morte. Dito assim parece assustador, mas não é. É, pelo contrário, um filme sensível que nos apresenta Joe Gardner, um músico que tem como paixão o Jazz mas que nunca conseguir singrar no meio artístico, tendo optado por ser professor de música. Mas por acidente, "morre" e a sua alma viaja para um lugar onde outras almas o aguardam para cumprir o seu papel. É um filme com uma mensagem muito bonita que todos vão gostar. Está disponível na Disney +.



Coco

E deixei para último o mais belo filme sobre a temática. Em 2017 a Pixar lançou Coco, um filme ambientado no México, onde a cultura do Dia de los Muertos surge em todo o seu apogeu (está dentro do tema, embora com outro nome). É um filme musical cheio de cor, de ritmo e que conta a história de um menino que quer ser músico numa família onde isso não é aceite em hipótese alguma. Para ultrapassar este obstáculo, o nosso herói terá que descobrir as circunstâncias que levaram a que a música fosse banida pelos seus familiares. Isto tudo modelado pelo folclore mexicano e pelos valores que regem toda uma comunidade. Disponível na Disney +, considero um filme imperdível para quem aprecia o género.


Espero que tenham gostado desta pequena seleção de filmes. Com certeza que outros poderiam estar na lista, mas estes são os que mais gostei de ver e que podem ser assistidos em família, daí a minha escolha. 

Sintam-se à vontade para sugerir outros de que se lembrem, deixem nos comentários a vossa opinião.

18 de outubro de 2022

O Parque dos Poetas

Oeiras é uma município vizinho de Lisboa e tem um dos parques urbanos mais emblemáticos da zona. De construção recente, o Parque dos Poetas divide-se em três partes a que correspondem três fases distintas de construção, as quais são separadas por duas ruas e interligadas por duas pontes pedonais. A sua construção começou em 1998 e terminou em 2015, tempo durante o qual as várias fases foram sendo terminadas e inauguradas. O escritor David Mourão-Ferreira e o escultor Francisco Simões foram os idealistas do projeto em termos gerais, ao qual se juntaram Francisco Caldeira Cabral e Elsa Severino, respetivamente paisagista e arquiteta.

Ao todo são 22,5 hectares que homenageiam um total de 60 poetas

1ª fase - Poetas do século XX 
2ª fase - Poetas desde os Trovadores à Renascença
3ª fase - Poetas do Barroco (séc. XVIII) ao Romântico (séc.XIX) e ainda 10 poetas representativos de países ou territórios cujo idioma oficial é o português.

Cada poeta representado está inserido dentro de uma pequena área onde se coordenam motivos alusivos à sua obra e identidade, juntamente com uma arborização cuidada. Junto de cada um destes espaços encontramos toda a informação com o nome do escultor, as plantas expostas e demais informação.

Mas o Jardim dos Poetas tem muito mais para oferecer: regularmente ocorrem outras formas de arte, desde concertos a exposições itinerantes, o que é mais um motivo para se voltar a visitar o parque.

Quando lá estive, decorria a exposição itinerante da World Press Photo que percorre todo o mundo, naquela que é já a sua 65ª edição. Ocupava toda a alameda principal do Jardim, que começa junto da entrada principal.

Venham daí



Homenagem a Manuel Bandeira

Homenagem a José Craveirinha

Homenagem ao poeta Adé


Esta construção, que é também um miradouro, está no centro de um labirinto de arbustos (ainda em crescimento) e lá de cima temos uma visão panorâmica.


Ao longe é possível ver o Farol do Bugio


Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen
Este lago tem a curiosa forma que podemos encontrar por todo o jardim. Lembra uma folha de árvore e tanto está na definição de cada espaço reservado aos poetas, como no chão onde encontramos pequenos poemas literalmente a cada passo.



Inscrição de poemas nas ruas do jardim
E chegamos á área que homenageia o grande poeta português Luíz Vaz de Camões. Da sua maior obra Os Lusíadas recriou-se a Ilha dos Amores que encontramos ao percorrer um pequeno ribeiro que desagua num lago baixinho com repuxos sincronizados.








Esta visita ao parque não podia acabar de melhor maneira. Com esta vista incrível numa homenagem ao nosso maior poeta de todos os tempos.

Resumi um pouco para não ficar um post demasiado longo, mas acreditem que o Parque dos Poetas tem muito mais para ver, venham com tempo e apreciem este lugar tão agradável.

O acesso ao parque pode ser feito por qualquer um dos inúmeros portões. Neste caso entrei pelo principal, percorri as três fases e saí pelo portão no limite da 3ª fase, mas apenas por opção.

A entrada é gratuita e pode ser feita dentro dos seguintes horários:

01/05 a 30/09 - das 8h às 23h

01/10 a 30/04 - das 10h às 20h

Espero que tenham gostado desta minha sugestão de passeio.