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31 de julho de 2026

Torrão

Esta bonita vila alentejana, pertencente ao concelho de Setúbal é hoje sede de freguesia e terá sido habitada desde tempos imemoráveis. O seu nome também foi sendo alterado tendo sido chamada de Hisn Turnus na época de ocupação muçulmana e mais tarde renomeada como Torrejam, o que daria diretamente origem ao nome Torrão, que significa Torre Grande.

Recebeu foral Manuelino em 1512 como reconhecimento da sua importância estratégica e foi aqui que nasceu o poeta e escritor renascentista Bernardim Ribeiro (1482-1552), pelo que a terra lhe presta homenagem.

Hoje é uma vila calma, agradável e com aquela paz que encontramos nestes lugares. Tem um património digno de ser visitado e está próxima da Barragem Trigo de Morais, mais conhecida pela Barragem de Vale do Gaio.

A Nacional 2 atravessa a localidade, tornando-se assim, mais um motivo de interesse, fazendo parte do itinerário de quantos efetuam a travessia do país.

Torrão

Igreja do Carmo e Junta de Freguesia

Torrão
Homenagem a Bernardim Ribeiro


Convento e  Igreja de S Francisco


Próximo da vila temos a lindíssima Ermida de Nossa  Senhora do Bom Sucesso de onde se avista a imensidão da planície alentejana.

Ermida de Nossa Sra do Bom Sucesso


Podemos então partir para visitar a Barragem de Vale do Gaio onde dá vontade de mergulhar.




Espero que tenham gostado deste percurso por mais uma localidade onde apetece sempre voltar, deixo em baixo as informações necessárias para programarem a vossa visita.



Posto de Turismo
Rua das Torres 7595-124 Torrão
Telefone: 265 66 92 03






28 de março de 2026

Beja II

Já não é a primeira vez que falo sobre esta bonita localidade alentejana e desta vez venho fazer uma pequena tour pela cidade.


Começamos pela Sé Catedral de Beja. Na origem desta catedral terá estado uma igreja medieval mas a mesma teria sido destruída para dar origem à Sé inaugurada no sec. XVI e que terá passado por obras de melhoramento e requalificação.

Sé Catedral

Não longe dali, temos o Hospital Grande de Nossa Senhora da Piedade, mandado construir por D. Fernando para receber peregrinos e doentes. Dessa estrutura original já pouco resta, destacando-se a portaria em estilo gótico e manuelino. Foi entregue à Santa Casa da Misericórdia, que faz a sua gestão.




No pátio lateral podemos ter acesso à capela da Nossa Senhora da Piedade, com o interior ricamente decorado em talha dourada, erguida mais tarde a mando de D. Manuel, Duque de Beja, em 1490.
 
Capela da Nossa Senhora da Piedade

Interior da Capela

Seguimos caminho, indo ter à praça onde se encontra o edifício sede da Câmara Municipal.


Câmara Municipal de Beja


Não longe daqui temos a Igreja da Misericórdia, num estilo profundamente inspirado no Renascentismo Italiano. Originalmente não foi pensado para ser uma igreja. Em 1530 D. Luís Duque de Beja pretendeu dar à cidade algo grandioso e aquando da sua conclusão o monarca decidiu entregar o espaço à confraria da Santa Casa da Misericórdia e aí ficou instalada a igreja. Felizmente as intervenções seguintes respeitaram sempre a fisionomia imponente do edifício.

Igreja da Misericórdia.



Este passeio não pretende cingir-se à construção religiosa, mas Beja é tão rica em igrejas que é impossível fazer uma tour sem passar e admirar estes belos edifícios. Outro exemplo é o da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres. A sua construção deu-se entre os séc. XVI e XVII no estilo maneirista português, que tanto estava em voga à época.

Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres

Mais uma rua, mais uma obra de arte, neste caso na fachada de um hotel. Vhils, com o seu cunho característico, esculpiu na parede os rostos da poetisa Florbela Espanca e do poeta e escritor bejense Mário Beirão.


Chegados à Igreja de Santo Amaro, uma das mais antigas da cidade, cujas origens remontam ao século X e que terá sido erguida pela comunidade Moçárabe de Beja, entramos para conhecer o núcleo Visigótico pertencente ao Museu Rainha D. Leonor e instalado nesta igreja. Este núcleo é considerado um dos mais representativos da passagem dos visigodos pelo território português, com peças de valor incalculável.

Igreja de Santo Amaro


Núcleo Visigótico

Continuamos a nossa caminhada, paramos para beber e refrescar e aproveitamos para admirar a paisagem. Existem alguns pontos na cidade, de onde se pode ver a extensa planície em redor.


Não me posso esquecer de referir o castelo, mas como já o visitei anteriormente e aqui deixei um post, não me irei alongar.



E mais um pulinho, estamos no parque na cidade. Claro que nem tudo se fez a pé, mas essencialmente foi um passeio descontraído, e chegados ao parque podemos sentir a paz e tranquilidade de uma área bem preservada e um excelente espaço de lazer.






Ainda deu para passar junto à Ermida de Santo André, cuja construção se terá dado entre os séc. XV e XVI, provavelmente sob a direção de D. Manuel I.


Uma última paragem curiosamente na estação de comboios, famosa pelos seu azulejos e edificação em geral e damos por concluída a nossa volta por Beja.




Muito ficou por ver, nem sempre se conseguiu ou houve oportunidade para entrar em todos os edifícios mas uma certeza fica sempre depois destas incursões: Portugal tem tanto de belo para visitar. 
Se quiserem ver o outro post que fiz há alguns anos espreitem aqui.

Abraço e até uma próxima oportunidade.

Posto de Turismo de Beja
Coordenadas: 38.01725, - 7.865139
Largo Dr. Lima Faleiro



30 de setembro de 2025

Alcaria Ruiva

Por terras do Lince Ibérico e lá longe no Alentejo profundo existem surpresas dignas de reconhecimento.  O verão ia a meio, o que nesta zona representa um calor insuportável, quando cheguei a uma aldeia tipicamente alentejana chamada Alcaria Ruiva. Sede de freguesia pertencente ao concelho de Mértola, é uma daquelas aldeias com casinhas brancas alinhadas em ruas limpas e desertas. Não há certeza quanto à origem do nome. Pensa-se que o termo "alcaria" provém de uma palavra árabe que significa aldeia pequena ou lugar, enquanto "ruiva" seria referente à cor que apresenta durante grande parte do ano. Mas quanto a isso não há certezas.

Alcaria Ruiva

Numa zona mais elevada ergue-se a igreja, pequena em tamanho mas com o charme típico do que é verdadeiro.




Em Alcaria Ruiva podemos encontrar os genuínos pratos alentejanos em alguns restaurantes acolhedores, que nos permitem saborear a excelente cozinha tradicional da região. 



Para entradas foi servido o tradicional pão de Mértola, o chouriço caseiro e o toucinho da região, experimentei o Cozido de Grão que estava simplesmente delicioso.

Depois do almoço subi ao ponto mais alto do concelho de Mértola: a serra de Alcaria Ruiva tem uma altitude de 370 metros e lá de cima consegue-se avistar a imensidão da planície alentejana que se transforma ao longo do ano. No verão os campos são maioritariamente amarelos e a paisagem a perder de vista revela a riqueza do montado da região.



Tão bom agora que chegou o Outono, podermos recordar dias felizes de verão.

26 de setembro de 2025

Aldeia da Mina de S. Domingos

Situada no município de Mértola, distrito de Beja, já anteriormente falei da Mina de S. Domingos e da Tapada - podem ver os posts aqui e aqui - mas desta vez trago imagens da aldeia que serviu de apoio ao complexo mineiro durante muitos anos e onde hoje poucas pessoas moram a tempo inteiro, sendo essencialmente um lugar de veraneio. Nota-se por isso que a aldeia tem vindo a ser recuperada gradualmente e todos os anos são visíveis os melhoramentos das casas, depois de uma época de um certo abandono devido ao fecho da exploração mineira. 

Embora já por ali vivessem pessoas desde os tempos mais antigos, a aldeia propriamente dita foi inaugurada no ano de 1858. Continha toda a infraestrutura necessária para promover a habitação de todos os que tinham ligação direta com a mina, desde os mineiros até aos funcionários dos escritórios e direção da empresa, encontrando-se a aldeia dividida por agrupamentos segundo o critério da época. 

Neste momento a aldeia está classificada como Imóvel de Interesse Público e integrada na Rede Natura 2000.


Praça da Direção


Igreja da aldeia


Interior da igreja

Edifício do mercado

Pintura mural da autoria de Jorge Teixeira

Pequeno lago resultante da antiga exploração mineira e das águas da chuva


Tapada Pequena

Vista geral

Tapada Grande

Fachada do campo de futebol

Edifício do museu

E assim se percorre um pouco da história da região. O museu tem exposições cíclicas e o próprio edifício está preparado para outros eventos, desde reuniões a palestras, tendo sido remodelado recentemente. A título de curiosidade, refira-se que os sinos da igreja, são ainda os originais encomendados a John Warner &Sons Crescent Founry, a mesma fundição que criou o Big Ben em Londres, uma vez que a direção e exploração da mina estava entregue a um grupo inglês. Outra curiosidade é o nome do campo de futebol: Sir Artur Brown foi o chefe dos Serviços de Transporte e Oficinas da Mina de S. Domingos e sócio do S. Domingos Futebol Clube, um dos clubes que jogavam nesse campo, no século passado.

Como podem ver, uma pequena aldeia no Alentejo profundo contém uma parte tão importante da  história da região e logicamente, de Portugal. São estas preciosidades que tornam qualquer pequena viagem numa descoberta.