10 de maio de 2026

Baleal

O nome provém de uma atividade entretanto extinta na zona: a pesca da baleia. Nos dias de hoje, esta pequena península que já foi ilha mas que a natureza tratou de a ligar a Peniche, é um lugar de veraneio e nas últimas décadas começou a chamar surfistas, que sabem que estas águas frias e por vezes agitadas, têm a condição ideal para a prática desportiva.

O Baleal tem sobretudo casas de férias onde muitas são alugadas a turistas e por entre ruas estreitas e caminhos entre as rochas o contacto com a natureza é permanente. Várias praias circundam o local, a que só se chega por uma única estrada a partir de Peniche. 

Venham daí!







Chegados ao local, a panorâmica é deslumbrante. De alguns pontos avista-se Peniche, de outros, o imenso oceano ou até pequenos ilhéus.















Na volta, o caminho é feito pela mesma estrada e tornamos a passar por Peniche, despedindo-nos assim de um dos lugares maravilhosos que a zona Oeste tem para visitar.

Já conheciam?

5 de maio de 2026

O Rouxinol - review

Descobri Kristin Hannah o ano passado e desde aí já li uns quantos da autora, tendo mais alguns livros na prateleira a aguardar a vez, mas devo dizer que O Rouxinol entrou definitivamente para o meu top10.


O Livro

Publicado em 2015 com o título original "The Nightingale", é um romance cuja acção decorre na II Guerra Mundial e incide particularmente sobre duas irmãs Vianne e Isabelle, cujas vidas vão depender muito da forma como elas irão enfrentar o ambiente hostil e degradado de uma França ocupada pelas tropas alemãs.

Vianne viu o seu marido partir para a frente de combate deixando-a sozinha com uma filha ainda criança.. Na pequena vila onde mora a ocupação não se faz esperar e ela terá que conviver com o inimigo no seu próprio lar, quando um oficial alemão requisita a casa para aí residir, uma prática que se tornou comum quando as tropas nazis se instalaram em França..
Isabelle, a irmã mais nova, é uma jovem rebelde que não aceita a ocupação alemã e tudo fará para ajudar no esforço de guerra, colocando a sua própria vida em risco.


A Minha Opinião

Um romance histórico que retrata com grande rigor um momento terrível do séc. XX. Sob a perspetiva feminina, este livro transporta-nos para uma época cruel, e mostra o conflito da guerra por detrás dos combates: a escassez dos alimentos, a luta pela sobrevivência, a união entre aqueles que tinham como objetivo a derrota do inimigo e o regresso à tranquilidade de uma França livre.

Este livro é um verdadeiro murro no estômago. Faz-nos refletir na dureza dos acontecimentos que não queremos de todo reviver, mas também nos faz olhar à volta e dar valor a tudo o que temos e que damos como garantido. Sendo uma história ficcionada, é o retrato de uma época e a narrativa está tão bem conseguida que não vai deixar ninguém indiferente.

Não se lê com ligeireza, mas vale muito a pena. 



Outros livros da autora:

Os Quatro Ventos
Em Nome do Amor

3 de maio de 2026

A Mãe

A minha mãe. A primeira foto que a minha mãe tem é esta. Teria quase dois anos, vivia numa aldeia para lá do Zêzere e uma deslocação ao fotógrafo da vila deixaria registada a imagem daquela menina que nem sonhava que mais tarde viria a morar em Lisboa.

Atualmente, mantém o mesmo ar de menina, as rugas não alteraram a expressão. A vivacidade ainda se mantém, apesar de uma "dorzita aqui e ali" próprias de quem já viu muitas décadas passarem. 
Hoje a minha homenagem é para ela.

Deixo também um especial abraço a todas as mães que por aqui passam e que este domingo seja extensível a todos os dias do ano.




 

29 de abril de 2026

Programa Estou Aqui

O que é?

Já anteriormente tinha falado da pulseira "Estou Aqui" da PSP. É uma pulseira que aquando do lançamento foi pensada para colocar nas crianças no verão, por causa daquelas situações em que se perdem dos pais, principalmente na praia. O sistema foi alargado, podendo a pulseira ser solicitada a partir do início de cada ano e logo que esteja disponível será entregue e colocada no pulso. Destina-se a crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 15 anos.

Como funciona?

A pulseira tem um código e esse código encontra-se inserido numa base de dados à qual apenas os agentes da autoridade têm acesso. Caso a criança se perca e levada à presença de um agente, este lerá o código e terá acesso à informação onde consta o nome dos responsáveis pela criança. Não é uma pulseira com dispositivo de rastreamento nem GPS.

O sucesso foi tal que mais recentemente foi lançado um programa Estou Aqui - adultos. Foi pensado para uso de pessoas que, "em função da idade ou de patologia, possam ficar desorientadas ou inconscientes na via pública". À semelhança da pulseira para crianças, terá um código ao qual o agente tem acesso e que permitirá contactar os familiares e assim prestar auxilio à pessoa necessitada.

Para mais informações, deixo o link onde poderão esclarecer todas as dúvidas ou solicitar as pulseiras.


Estou Aqui - crianças

Estou Aqui - adultos


24 de abril de 2026

Vale de Meios - no rasto dos dinossauros

Foi num dia de muito calor e sem estar à espera, que soubemos que próximo do local onde nos encontrávamos havia vestígios de trilhos de dinossauro do Jurássico Médio (cerca de 168 milhões de anos). Ali, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, na freguesia de Alcanede e a 1 km da pequena povoação de Pé da Pedreira, onde anteriormente chegaram a existir três pedreiras, encontramos a jazida de pegadas de dinossauro de Vale de Meios.


Estas pegadas foram deixadas numa época em que o mar estava próximo do local e naquele território existia uma laguna, um lugar de águas mornas e baixas, com solo calcário e lamacento. Ali habitariam grandes Terópodes - uma subordem de dinossauros que se deslocavam nas patas traseiras. Pelas pegadas deixadas conclui-se que alguns seriam tridáctilos, ou seja, possuíam três dedos nos membros inferiores, sobre os quais se deslocavam. As pegadas medem entre 50 e 70 cm o que dá para perceber a envergadura destes dinossauros e os trilhos percorridos.

Vale de Meios foi identificado como uma das mais importantes jazidas da Península Ibérica, um geossitio cujo património geológico permite compreender melhor estes grandes animais pré-históricos.









Por ser um local com uma importância tão grande, achei-o um pouco abandonado. Há ali imensas possibilidades e seria interessante haver um centro de interpretação que permitisse ao visitante compreender melhor toda a estrutura envolvente. É sem dúvida um espaço a preservar.


17 de abril de 2026

Esquecidos - a receita

Provenientes da Beira Baixa, os Esquecidos fazem parte da gastronomia típica da região. São fáceis de fazer e ficam deliciosos a acompanhar um chá ou um café a meio da tarde.  

Doçaria regional da Beira Baixa

Ingredientes:

3 ovos
200 gr açúcar 
250 gr farinha com fermento
umas gotas de sumo de limão (opcional)

Bater os ovos com o açúcar até ficar uma massa esbranquiçada. Adicionar a farinha e mexer com a vara de arames. Querendo, acrescentar umas gotinhas de sumo de limão. Deixar a massa descansar uns 10 minutos à temperatura ambiente.

Forrar o tabuleiro com papel vegetal e untar ligeiramente, eu uso spray para formas de bolo que se compra no supermercado.

Deitar colheradas pequenas de massa, deixando um espaço entre elas, uma vez que a massa irá espalhar-se um pouco durante a cozedura. Vai ao forno pré-aquecido a 180º durante 10 minutos.

Nota: de tão fáceis, apenas é necessário ter atenção ao tempo que levam no forno, pois 10 minutos a 180º são suficientes. Dá para fazer vários tabuleiros em simultâneo e deixá-los mais ou menos morenos, conforme a altura do tabuleiro ou a distância a que fica do de cima. Rendeu cerca de 30 unidades.

Doçaria regional da Beira Baixa


5 de abril de 2026

28 de março de 2026

Beja II

Já não é a primeira vez que falo sobre esta bonita localidade alentejana e desta vez venho fazer uma pequena tour pela cidade.


Começamos pela Sé Catedral de Beja. Na origem desta catedral terá estado uma igreja medieval mas a mesma teria sido destruída para dar origem à Sé inaugurada no sec. XVI e que terá passado por obras de melhoramento e requalificação.

Sé Catedral

Não longe dali, temos o Hospital Grande de Nossa Senhora da Piedade, mandado construir por D. Fernando para receber peregrinos e doentes. Dessa estrutura original já pouco resta, destacando-se a portaria em estilo gótico e manuelino. Foi entregue à Santa Casa da Misericórdia, que faz a sua gestão.




No pátio lateral podemos ter acesso à capela da Nossa Senhora da Piedade, com o interior ricamente decorado em talha dourada, erguida mais tarde a mando de D. Manuel, Duque de Beja, em 1490.
 
Capela da Nossa Senhora da Piedade

Interior da Capela

Seguimos caminho, indo ter à praça onde se encontra o edifício sede da Câmara Municipal.


Câmara Municipal de Beja


Não longe daqui temos a Igreja da Misericórdia, num estilo profundamente inspirado no Renascentismo Italiano. Originalmente não foi pensado para ser uma igreja. Em 1530 D. Luís Duque de Beja pretendeu dar à cidade algo grandioso e aquando da sua conclusão o monarca decidiu entregar o espaço à confraria da Santa Casa da Misericórdia e aí ficou instalada a igreja. Felizmente as intervenções seguintes respeitaram sempre a fisionomia imponente do edifício.

Igreja da Misericórdia.



Este passeio não pretende cingir-se à construção religiosa, mas Beja é tão rica em igrejas que é impossível fazer uma tour sem passar e admirar estes belos edifícios. Outro exemplo é o da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres. A sua construção deu-se entre os séc. XVI e XVII no estilo maneirista português, que tanto estava em voga à época.

Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres

Mais uma rua, mais uma obra de arte, neste caso na fachada de um hotel. Vhils, com o seu cunho característico, esculpiu na parede os rostos da poetisa Florbela Espanca e do poeta e escritor bejense Mário Beirão.


Chegados à Igreja de Santo Amaro, uma das mais antigas da cidade, cujas origens remontam ao século X e que terá sido erguida pela comunidade Moçárabe de Beja, entramos para conhecer o núcleo Visigótico pertencente ao Museu Rainha D. Leonor e instalado nesta igreja. Este núcleo é considerado um dos mais representativos da passagem dos visigodos pelo território português, com peças de valor incalculável.

Igreja de Santo Amaro


Núcleo Visigótico

Continuamos a nossa caminhada, paramos para beber e refrescar e aproveitamos para admirar a paisagem. Existem alguns pontos na cidade, de onde se pode ver a extensa planície em redor.


Não me posso esquecer de referir o castelo, mas como já o visitei anteriormente e aqui deixei um post, não me irei alongar.



E mais um pulinho, estamos no parque na cidade. Claro que nem tudo se fez a pé, mas essencialmente foi um passeio descontraído, e chegados ao parque podemos sentir a paz e tranquilidade de uma área bem preservada e um excelente espaço de lazer.






Ainda deu para passar junto à Ermida de Santo André, cuja construção se terá dado entre os séc. XV e XVI, provavelmente sob a direção de D. Manuel I.


Uma última paragem curiosamente na estação de comboios, famosa pelos seu azulejos e edificação em geral e damos por concluída a nossa volta por Beja.




Muito ficou por ver, nem sempre se conseguiu ou houve oportunidade para entrar em todos os edifícios mas uma certeza fica sempre depois destas incursões: Portugal tem tanto de belo para visitar. 
Se quiserem ver o outro post que fiz há alguns anos espreitem aqui.

Abraço e até uma próxima oportunidade.

Posto de Turismo de Beja
Coordenadas: 38.01725, - 7.865139
Largo Dr. Lima Faleiro