26 de fevereiro de 2019

Fábrica da Pólvora em Barcarena

E hoje levo-vos numa visita a um local muito próximo de Lisboa, concretamente em Barcarena, município de Oeiras. Neste local terá sido construído, sob ordens de  D. João II (1481-1495), as denominadas Ferrarias d' El-Rei, onde seriam produzidas armas e que mais tarde, já no século XVII serviria para a instalação da Fábrica da Pólvora de Barcarena. Esta fábrica, com as devidas modernizações e reajustes na sua produção, manteve-se em funcionamento até 1988, altura em que foi definitivamente encerrada.
 
Mas em 1995 este local viria a ter a definitiva transformação com a aquisição por parte da Câmara Municipal de Oeiras que o transformaria numa área de descontração e lazer. Neste momento é uma área agradável e constitui um óptimo programa para se fazer a sós ou em família. 
 
 
Quando se transpõe a entrada, uma área de restauração salta imediatamente à vista. Tem óptimos restaurantes com esplanada enquanto no espaço envolvente podemos observar pormenores de outros tempos, chaminés e respiradores da fábrica, agora devidamente transformados em pontos de interesse para o visitante. Tudo perfeitamente enquadrado no espaço exterior.





Este espaço convida a dar uma volta por ali e entre edifícios e trilhos descobrir maquinaria de outra época.


 
Num dos pátios de entrada acedemos ao museu, que é gratuito aos domingos e onde se preservam utensílios e maquinaria antiga. Também existem fotografias e objectos de um complexo que foi muito mais que uma fábrica. Ao longo dos imensos terrenos, acabou por ser construída uma zona de habitação onde os trabalhadores e as suas famílias moravam, faziam as compras e conviviam, numa época em que Barcarena teria sido uma terra com algum grau de isolamento.








E há ainda um espaço muito agradável e que convida a passar uma horas de contemplação ou até de leitura. Subindo uns degraus, chegamos a um outro jardim com espelho de água e envolto na natureza.




É realmente um local que se transformou em muito mais que um parque urbano. Ali decorrem exposições, concertos e festivais. Tem galerias e áreas de atelier. Há tanta oferta que só mesmo deslocando-nos lá, podemos ter noção da diversidade.
 
Por último, e já no exterior das instalações, deixo-vos a foto do famoso relógio (ok, não estava acertado) que noutros tempos marcava a vida da  população. 


É uma visita que aconselho vivamente, se quiserem passar uma tarde agradável e diferente. Ou então sair à noite e passar umas horas entre uma refeição agradável e um gin, com música ao vivo.

Fábrica da Pólvora de Barcarena
Estrada das Fontainhas
Barcarena
abre todos os dias entre as 9h e as 2h

GPS 38.745849, - 9.291369

Para mais informações fica aqui o link.


Quem conhece ou ficou com vontade de conhecer? Querem acrescentar algo mais? Contem-me tudo.

16 de fevereiro de 2019

Sites Úteis

Numa época em que existem apps para tudo no smarphone, ainda considero útil ter nos favoritos do computador uma série de sites que me ajudam a encontrar alguma informação. Deixo aqui uns que espero que sejam úteis para vocês.
 
Já sabe o preço de um vestido, mas está em libras e quer saber quanto irá pagar em euros? Ou precisa de converter polegadas (acontece imenso quando consultados sites em inglês) em centímetros?
 
--» O convertworld ajuda-a a fazer conversões variadas. É simples, intuitivo e garante uma ajuda preciosa.
 
Quer saber que horas são numa determinada cidade num qualquer país distante?

--» O jabo-net diz-lhe que horas são neste momento em várias cidades do mundo e ainda a informa acerca da temperatura que se faz sentir nessa região.
 
E agora para quem quer experimentar a sensação de viajar pelo mundo fora. Sonha com uma ida a Nova Iorque e gostaria de espreitar ao momento e ver o que se está a passar por lá agora?

--» Espreite o earthcam e veja em tempo real as ruas da Big Apple. mas não só: existem câmaras espalhadas pelo mundo fora, inclusivamente em Portugal e sempre pode ter aquele gostinho de abrir a janela e ver o mundo. Experimente.

E é isto! Conhecem outros sites igualmente interessantes e que queiram partilhar com todos? Deixem as vossas dicas nos comentários.
 

14 de fevereiro de 2019

Hoje li Mia Couto

Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida

Mia Couto in Raiz de Orvalho e Outros Poemas

12 de fevereiro de 2019

Setúbal

Hoje trago-vos imagens de uma cidade banhada pelo rio e pelo mar, cujas origens se perdem nos tempos.
Ocupada desde o neolítico, viu passar por ela sucessivamente fenícios, gregos e cartagineses. O império romano desenvolveu a cidade e a sua queda estagnou-a. Foram precisos muitos séculos para a cidade se reerguer e voltar a ter a mesma importância, mas o foral atribuído em 1249, atesta esse mesmo reconhecimento.
 
Hoje, Setúbal é capital de distrito, fica a menos de 50 km de Lisboa e tudo nela mostra a envolvência marítima das suas gentes, desde a confecção de comida, até à própria dinâmica da cidade.
 
Conheço-a há imensos anos e reparo como se tem vindo a tornar mais bonita. Não é apenas um ponto de passagem de quem vai apanhar o ferry para Tróia, comprar marisco fresco ou visitar a serra e as praias da Arrábida. Nada disso. Hoje é uma cidade modernizada, com a sua zona ribeirinha bem cuidada e onde se vêem famílias a aproveitar o sol que nesta época do ano sabe maravilhosamente bem.
 
Há imensos restaurantes a servirem choco frito ou grelhado e, entretanto essa imagem começa a estar espalhada pela cidade. O artista setubalense Zé Nova foi convidado a criar a imagem do choco que aparece em duas intervenções na zona ribeirinha de Setúbal. A primeira encontrei-a por acaso quando passava por ali de carro e foi inevitável fotografar.
 

Depois, já a pé, andei pela cidade e não pude deixar de reparar em pormenores e fachadas, bem cuidadas, com cara nova, num registo bem agradável.




 
E ali mesmo... o mar. Avistamos Tróia lá ao fundo e aquela envolvência numa tarde agradável de Inverno desperta a recordação dos dias de sol e calor em que apetece mergulhar neste mar tão azul.





É curioso que, andando pelas ruas de Setúbal, as referências ao seu património imaterial são constantes, Desde a comida à cultura, Setúbal traz para a rua o que melhor a define, em intervenções urbanas e homenagens, dando nome às ruas e investindo em monumentos. Ficam apenas alguns exemplos

Choco frito da autoria de Zé Nova.



Lateral de uma estrutura de espectáculos


Fonte das Musas


Homenagem a Luisa Todi



Homenagem a Bocage
 
É assim que vejo Setúbal. Entre o mar e a serra, uma cidade agradável, cheia de referências e que vale bem uma visita.



Conhecem ou ficaram com curiosidade de visitar? O que acharam desta minha visão (necessariamente) pessoal?

8 de fevereiro de 2019

Gelatina arco-íris

E que tal fazer uma sobremesa bem colorida e engraçada talvez para uma festa de aniversário ou comemoração informal?

Precisa de poucos ingredientes e de ... alguma paciência. Já que o grau de dificuldade é zero, mas vai ter que aguardar entre camadas, para dar tempo para ganhar consistência. Por outro lado, o sucesso é garantido, já que os olhos também comem e este doce fica realmente vistoso.

 
Ingredientes:

6 gelatinas de sabores/cores diferentes
2 pacote de natas
água

As cores/sabores ficam ao critério de cada um. Eu usei gelatinas com sabores a: morango, frutos tropicais, ananás, tutti-frutti, maracujá e mirtilho.

A montagem desta sobremesa consiste essencialmente nisto: colocam-se dois terços do pacote em cerca de 3 dl de água muito quente, desfaz-se a gelatina e coloca-se na forma. Deixa-se prender um pouco e desfaz-se a gelatina que sobrou num pouco de água e num pouco de natas (cerca de 6 colheres de sopa), mexe-se bem e deita-se sobre a camada de gelatina que já está na forma e entretanto ganhou consistência.

A medida de água é apenas uma referência, uma vez que a primeira camada leva menos água pois ficará no fundo da forma, que é mais estreita.

O resultado final é o que se pode ver na fotografia. Uma camada mais larga de gelatina transparente, seguida de uma camada de gelatina opaca. Isto pode ser feito com quantas cores quiser e pela ordem que preferir. A minha ficou assim: encarnado, cor-de-laranja, amarelo, verde, cor-de-rosa, roxo. Para ser mais rápido entre camadas, pode levar a forma ao congelador, mas não mais que 5 minutos, pois a gelatina não pode congelar.

Desenformar no dia seguinte.

 
Um pequeno truque: para desenformar mais facilmente, convém mergulhar a forma em água quente, contar até 10 e retirá-la. A gelatina desprende-se mais facilmente, não perdendo a consistência.

A minha não ficou perfeita, as camadas não ficaram absolutamente iguais e ao desenformar, ficou um pouco do topo no fundo da forma, mas foi a primeira vez que tive paciência para fazer algo assim...
 
Bom apetite!

4 de fevereiro de 2019

A Mina de S. Domingos

Hoje trago imagens diferentes, marcantes pela sua dureza, mas que ilustram um dos locais mais curiosos do panorama histórico-social do nosso país.
 
A Mina de S. Domingos é um lugar único no Baixo Alentejo. Situado no concelho de Mértola, na freguesia de Corte Pinto, foi classificada como Conjunto de Interesse Público, pelas entidades competentes, dado tratar-se de uma área de despojos, do que ficou depois do abandono da mina após décadas de extração exaustiva entre 1858 e 1965.
 
Na realidade, desde a época dos Fenícios e dos Cartagineses a exploração mineira existiu naquela região, rica em ouro, prata e cobre. Até mesmo quando o território foi tomado pelos romanos, a extração do mineiro continuou a fazer-se a bom ritmo, mas só no século XIX viria a ser explorada com métodos considerados modernos para  a época, sendo então o cobre um dos elementos em maior abundância extraídos da mina.
 
A importância desta exploração era tão grande que permitiu apostar em sistemas modernos de transporte. Foi o caso da linha de caminho de ferro que nos anos 60 do século XIX já ligava a Mina ao Pomarão numa extensão de 15 km, permitindo escoar a partir do rio Guadiana, todo o minério extraído dali. A aldeia junto à mina, um espaço construído para servir de apoio aos mineiros e composto por todo o tipo de infraestruturas consideradas essenciais à época, foi também a primeira  a ter electricidade em Portugal.
 
Hoje a aldeia é um lugar não só de habitação mas também de acesso turístico, depois de anos de semi abandono, e a mina propriamente dita que foi outrora local de trabalho para milhares de pessoas está em fase de melhoramento de acesso,  existindo até um projecto de dinamização de toda a área envolvente.
 
Por enquanto é um espaço com edifícios abandonados e em ruínas, de uma beleza estranha mas cativante. Quem gosta de fotografar não consegue ficar indiferente e neste cenário agreste encontra inspiração perante a rudeza e o silêncio tão profundos.
 









 
A lagoa ácida acaba por ser o ex-libris de todo o complexo. As suas águas azuis e tóxicas impressionam o visitante e são resultado do abandono das terras mineralizadas da região.
 
Aguardemos pela reabilitação do espaço e pela sua dinamização. O projecto já está em movimento e promete dignificar o local, tornando-o menos esquecido.
 
Caso não conheçam e pretendam visitar, deixo aqui as coordenadas de GPS para melhor orientação:
 
37º40'18.5"N 7º30'19.7"W
 
 
Quem já conhecia a Mina de S. Domingos? O que acharam quando lá foram a primeira vez?
 
 

2 de fevereiro de 2019

Encomenda personalizada

Se nos seguem, certamente já terão lido por aqui algo relacionado com esta marca. Cozinha com Rosto tem um blog muito interessante que acompanho já há algum tempo, tendo recentemente sido entrevistada pela sua autora, a Mônica Rebelo, num post que poderão ler aqui. Entretanto fui sua parceira num concurso e hoje mostro-vos uma encomenda já entregue e tão elogiada pela Mônica.
 
Coisas de Feltro

Trata-se de um saco térmico, chamemos-lhe assim, que permite levar à mesa o pão quentinho... ou scones... bolinhos acabados de fazer ... tudo o que se pode levar do forno à mesa para ser servido num chá mais intimista e caseiro.
 
Também forrei uma agenda para 2019 que faz conjunto. Isto tudo inspirado no próprio design de Cozinha Com Rosto, usando elementos e cores alusivos à sua imagem.
 
Gostaram do resultado? O que acham? É ou não uma delícia fazer encomendas assim?

30 de janeiro de 2019

Leituras improváveis

Quem conhece os meus gostos literários pode ficar admirado se eu disser que li um romance de amor, mais concretamente O Diário da Nossa Paixão. Porque as minhas preferências recaem essencialmente sobre obras não-ficcionais ou de análise, romances de mistério ou policiais. Só que, de vez em quanto, há que sair da zona de conforto e aventurar-me, nem que seja em algo simples e que não irá propriamente alterar o percurso normal dos acontecimentos. 
 
Isto tudo para explicar que este livro veio parar às minhas mãos quase por acaso e ainda hesitei, mas como me apetecia distrair a mente com uma leitura mais ligeira, tomei-o emprestado.
 
E que dizer? O nome de Nicholas Sparks é sobejamente conhecido, os seus livros são um fenómeno de vendas e muitos foram, inclusivamente,  adaptados ao cinema.
 
O que achei do livro
 
Com uma linguagem simples e muito clara, permite-nos acompanhar facilmente a narrativa e construir cenários na nossa imaginação. Mas, para além de tudo, leva-nos a questionar as nossas escolhas, os nossos impulsos, as atitudes que tomamos para a vida.
 
Nicholas Sparks

 
A história (sem spoiler)
 
Basicamente conta a história de amor entre Allie e Noah, do seu namoro breve na adolescência ao reencontro na idade adulta, depois de 14 anos de afastamento. As dúvidas, os preconceitos entre classes sociais distintas, o atravessar dos anos e a aceitação do outro, tudo abordado neste romance que já encantou milhares de leitores em todo o mundo. 
 
No original The Notebook, esta obra foi adaptada ao cinema num filme lançado em 2004 sob a direção de Nick Cassavetes. Como nunca o vi, fui espreitar o trailer e  achei interessante. Vou ficar atenta, a ver se passa na televisão.
 
Alguém já leu este livro? O que acharam da história?