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29 de março de 2019

Um miradouro que é um monumento

Lisboa tem imensos miradouros - lugares de onde se pode apreciar a cidade lá bem do alto. Uns derivam do próprio relevo geográfico mas outros foram propositadamente construídos a pensar na possibilidade de ver melhor a paisagem urbana. 
 
Estive num monumento emblemático da cidade de Lisboa onde o seu miradouro proporciona uma vista incrível e é a partir deste lugar que hoje trago fotografias.
 

O Padrão dos Descobrimentos tem uma história curiosa. Na verdade, o primeiro foi construído  em materiais menos resistentes, para a grande Exposição do Mundo Português que teve lugar em 1940. Cotinnelli Telmo e Leopoldo de Almeida foram os seus autores e idealizaram um monumento onde as principais figuras responsáveis pela expansão marítima foram retratados com imensos pormenores. A própria estrutura simboliza uma caravela onde o Infante D. Henrique está à proa com uma caravela menor nas mãos seguido por muitas outras personalidades que tiveram o maior destaque na história marítima portuguesa.
 
A curiosidade é que o que vemos hoje foi mandado contruir à semelhança do original mas desta vez em materiais resistentes e pedra de qualidade.  Em 1960 e após 500 anos da morte do Infante D. Henrique é finalmente inaugurado o Padrão dos Descobrimentos mas ainda assim viria a ser alterado o seu interior e desde 1985, sob um projecto do arquitecto Fernando Ramalho, podemos subir e admirar a paisagem envolvente.


Um elevador traz-nos até 56 metros de altura e a vista é deslumbrante.

A marina






O rio Tejo


Um restaurante num lago artificial


O Tejo e a outra margem


O Mosteiro dos Jerónimos

Daqui consegue-se ver perfeitamente a Rosa dos Ventos embutida no passeio frente à entrada do Padrão dos Descobrimentos. Nela estão traçadas as principais rotas marítimas da expansão Portuguesa.

A famosa Rosa dos Ventos



Pensar que foi daqui, do estuário do Tejo que partiram muitas caravelas rumo a um mar que à época seria em grande medida um território totalmente desconhecido faz-nos pensar no quanto este rio terá já visto. Despedidas, sonhos e desejo de aventura... tudo isto há mais de 500 anos.

Padrão dos Descobrimentos
Av. Brasília 1400-038 Lisboa
Tel. 21 303 1950





 

26 de fevereiro de 2019

Fábrica da Pólvora em Barcarena

E hoje levo-vos numa visita a um local muito próximo de Lisboa, concretamente em Barcarena, município de Oeiras. Neste local terá sido construído, sob ordens de  D. João II (1481-1495), as denominadas Ferrarias d' El-Rei, onde seriam produzidas armas e que mais tarde, já no século XVII serviria para a instalação da Fábrica da Pólvora de Barcarena. Esta fábrica, com as devidas modernizações e reajustes na sua produção, manteve-se em funcionamento até 1988, altura em que foi definitivamente encerrada.
 
Mas em 1995 este local viria a ter a definitiva transformação com a aquisição por parte da Câmara Municipal de Oeiras que o transformaria numa área de descontração e lazer. Neste momento é uma área agradável e constitui um óptimo programa para se fazer a sós ou em família. 
 
 
Quando se transpõe a entrada, uma área de restauração salta imediatamente à vista. Tem óptimos restaurantes com esplanada enquanto no espaço envolvente podemos observar pormenores de outros tempos, chaminés e respiradores da fábrica, agora devidamente transformados em pontos de interesse para o visitante. Tudo perfeitamente enquadrado no espaço exterior.





Este espaço convida a dar uma volta por ali e entre edifícios e trilhos descobrir maquinaria de outra época.


 
Num dos pátios de entrada acedemos ao museu, que é gratuito aos domingos e onde se preservam utensílios e maquinaria antiga. Também existem fotografias e objectos de um complexo que foi muito mais que uma fábrica. Ao longo dos imensos terrenos, acabou por ser construída uma zona de habitação onde os trabalhadores e as suas famílias moravam, faziam as compras e conviviam, numa época em que Barcarena teria sido uma terra com algum grau de isolamento.








E há ainda um espaço muito agradável e que convida a passar uma horas de contemplação ou até de leitura. Subindo uns degraus, chegamos a um outro jardim com espelho de água e envolto na natureza.




É realmente um local que se transformou em muito mais que um parque urbano. Ali decorrem exposições, concertos e festivais. Tem galerias e áreas de atelier. Há tanta oferta que só mesmo deslocando-nos lá, podemos ter noção da diversidade.
 
Por último, e já no exterior das instalações, deixo-vos a foto do famoso relógio (ok, não estava acertado) que noutros tempos marcava a vida da  população. 


É uma visita que aconselho vivamente, se quiserem passar uma tarde agradável e diferente. Ou então sair à noite e passar umas horas entre uma refeição agradável e um gin, com música ao vivo.

Fábrica da Pólvora de Barcarena
Estrada das Fontainhas
Barcarena
abre todos os dias entre as 9h e as 2h

GPS 38.745849, - 9.291369

Para mais informações fica aqui o link.


Quem conhece ou ficou com vontade de conhecer? Querem acrescentar algo mais? Contem-me tudo.

12 de fevereiro de 2019

Setúbal

Hoje trago-vos imagens de uma cidade banhada pelo rio e pelo mar, cujas origens se perdem nos tempos.
Ocupada desde o neolítico, viu passar por ela sucessivamente fenícios, gregos e cartagineses. O império romano desenvolveu a cidade e a sua queda estagnou-a. Foram precisos muitos séculos para a cidade se reerguer e voltar a ter a mesma importância, mas o foral atribuído em 1249, atesta esse mesmo reconhecimento.
 
Hoje, Setúbal é capital de distrito, fica a menos de 50 km de Lisboa e tudo nela mostra a envolvência marítima das suas gentes, desde a confecção de comida, até à própria dinâmica da cidade.
 
Conheço-a há imensos anos e reparo como se tem vindo a tornar mais bonita. Não é apenas um ponto de passagem de quem vai apanhar o ferry para Tróia, comprar marisco fresco ou visitar a serra e as praias da Arrábida. Nada disso. Hoje é uma cidade modernizada, com a sua zona ribeirinha bem cuidada e onde se vêem famílias a aproveitar o sol que nesta época do ano sabe maravilhosamente bem.
 
Há imensos restaurantes a servirem choco frito ou grelhado e, entretanto essa imagem começa a estar espalhada pela cidade. O artista setubalense Zé Nova foi convidado a criar a imagem do choco que aparece em duas intervenções na zona ribeirinha de Setúbal. A primeira encontrei-a por acaso quando passava por ali de carro e foi inevitável fotografar.
 

Depois, já a pé, andei pela cidade e não pude deixar de reparar em pormenores e fachadas, bem cuidadas, com cara nova, num registo bem agradável.




 
E ali mesmo... o mar. Avistamos Tróia lá ao fundo e aquela envolvência numa tarde agradável de Inverno desperta a recordação dos dias de sol e calor em que apetece mergulhar neste mar tão azul.





É curioso que, andando pelas ruas de Setúbal, as referências ao seu património imaterial são constantes, Desde a comida à cultura, Setúbal traz para a rua o que melhor a define, em intervenções urbanas e homenagens, dando nome às ruas e investindo em monumentos. Ficam apenas alguns exemplos

Choco frito da autoria de Zé Nova.



Lateral de uma estrutura de espectáculos


Fonte das Musas


Homenagem a Luisa Todi



Homenagem a Bocage
 
É assim que vejo Setúbal. Entre o mar e a serra, uma cidade agradável, cheia de referências e que vale bem uma visita.



Conhecem ou ficaram com curiosidade de visitar? O que acharam desta minha visão (necessariamente) pessoal?

4 de fevereiro de 2019

A Mina de S. Domingos

Hoje trago imagens diferentes, marcantes pela sua dureza, mas que ilustram um dos locais mais curiosos do panorama histórico-social do nosso país.
 
A Mina de S. Domingos é um lugar único no Baixo Alentejo. Situado no concelho de Mértola, na freguesia de Corte Pinto, foi classificada como Conjunto de Interesse Público, pelas entidades competentes, dado tratar-se de uma área de despojos, do que ficou depois do abandono da mina após décadas de extração exaustiva entre 1858 e 1965.
 
Na realidade, desde a época dos Fenícios e dos Cartagineses a exploração mineira existiu naquela região, rica em ouro, prata e cobre. Até mesmo quando o território foi tomado pelos romanos, a extração do mineiro continuou a fazer-se a bom ritmo, mas só no século XIX viria a ser explorada com métodos considerados modernos para  a época, sendo então o cobre um dos elementos em maior abundância extraídos da mina.
 
A importância desta exploração era tão grande que permitiu apostar em sistemas modernos de transporte. Foi o caso da linha de caminho de ferro que nos anos 60 do século XIX já ligava a Mina ao Pomarão numa extensão de 15 km, permitindo escoar a partir do rio Guadiana, todo o minério extraído dali. A aldeia junto à mina, um espaço construído para servir de apoio aos mineiros e composto por todo o tipo de infraestruturas consideradas essenciais à época, foi também a primeira  a ter electricidade em Portugal.
 
Hoje a aldeia é um lugar não só de habitação mas também de acesso turístico, depois de anos de semi abandono, e a mina propriamente dita que foi outrora local de trabalho para milhares de pessoas está em fase de melhoramento de acesso,  existindo até um projecto de dinamização de toda a área envolvente.
 
Por enquanto é um espaço com edifícios abandonados e em ruínas, de uma beleza estranha mas cativante. Quem gosta de fotografar não consegue ficar indiferente e neste cenário agreste encontra inspiração perante a rudeza e o silêncio tão profundos.
 









 
A lagoa ácida acaba por ser o ex-libris de todo o complexo. As suas águas azuis e tóxicas impressionam o visitante e são resultado do abandono das terras mineralizadas da região.
 
Aguardemos pela reabilitação do espaço e pela sua dinamização. O projecto já está em movimento e promete dignificar o local, tornando-o menos esquecido.
 
Caso não conheçam e pretendam visitar, deixo aqui as coordenadas de GPS para melhor orientação:
 
37º40'18.5"N 7º30'19.7"W
 
 
Quem já conhecia a Mina de S. Domingos? O que acharam quando lá foram a primeira vez?